| Programa
é dedicado a melhorar a vida de 40
famílias
40 famílias sentadas à mesa,
juntas. Para aquelas pessoas, pouco tempo
atrás, tal cena seria um devaneio.
Hoje, entretanto, são beneficiárias
de um programa social idealizado por duas
mulheres e passaram a acreditar que a vida
pode e deve ser melhor.
Terezinha Alea Moreira de Maia e Cleia Gonçalves
começaram a fazer o bem atendendo
algumas crianças do bairro onde vivem,
o Armour. A ideia surgiu a partir da experiência
de Cleia, professora em duas escolas estaduais
- Cyrino Luiz de Azevedo e Rodolfo Costa,
que passou a conhecer a realidade das pessoas
necessitadas. Em 23 de setembro de 2006,
as duas fundaram a Sociedade Eclética
Caridade Esperança Solar (Seces).
Hoje, pelo projeto Criança Feliz,
atendem 40 famílias, num total aproximado
de 120 crianças carentes. Maria Elaine
Moreira Correa e Idolena Bastos Rodrigues
também participam da diretoria. "Plantamos
hoje o amor e a eficiência, para colhermos
amanhã a confiança dos nossos
colaboradores e o respeito da nossa comunidade",
diz o lema da entidade.
O Criança Feliz atende crianças
com até 10 anos de idade e as mães,
que são integradas nas atividades
do projeto. Uma vez por mês, todos
são reunidos em um grande almoço,
oportunidade na qual as famílias
recebem as doações recolhidas
pelo programa. Neste dia, ainda, as crianças
devem apresentar o boletim escolar, para
que a diretoria acompanhe o desempenho dos
beneficiários. "É uma
forma de garantir o futuro para que sigam
o melhor caminho", avalia Cleia.
Anjos
Assim a comunidade denominou as diretoras
da Seces. O apelido, segundo a comunidade,
se deve ao fato de que estas mulheres fazem
a diferença, pois tentam de toda
forma resolver as solicitações
das famílias. Cleia, por exemplo,
emprega as horas vagas na confecção
de doces, que comercializa nas escolas e
o dinheiro da venda é guardado para
emergências. "As pessoas que
fazem parte do projeto batem na porta da
minha casa pedindo um dinheiro para o pão,
ônibus ou alguma necessidade imediata
e esse dinheiro é destinado para
essas horas, se não tem tento fazer
o possível para conseguir",
diz.
Para manter o programa, a diretoria da Seces
aceita todo tipo de doações,
desde alimentos não perecíveis,
materiais de construção, móveis,
roupas, calçados, cobertores e itens
de primeiros socorros. "Tudo que faz
falta em uma casa", analisa Cleia.
As doações vêm da comunidade
e são recolhidas pelas idealizadoras
do programa - quando informadas que há
material, vão arrecadar, dirigindo
um automóvel próprio. Tudo
é armazenado e distribuído
à população uma vez
por mês, no almoço realizado
pelo projeto.
Lutando pelos sonhos dos outros
Quando surgiu a ideia dos almoços,
a casa de Cleia e Terezinha não tinha
espaço suficiente para todas as pessoas
que já faziam parte do projeto. Então,
Cleia decidiu fazer um empréstimo
para viabilizar a construção
do refeitório, onde hoje são
recebidas as mães e crianças
do projeto. A professora revela que não
pensou duas vezes antes de fazer o empréstimo.
"Todas as noites posso dormir tranquila,
porque sei que 40 famílias que passavam
necessidades hoje estão bem",
destaca. As diretoras querem ir ainda mais
longe. Pretendem atender no mínimo
200 famílias.
Para concretizar esse sonho, precisam de
colaboração. Atualmente o
projeto possui seis computadores, instalados
e prontos para serem usados pelas crianças.
Contudo, ainda falta a ajuda de voluntários
para colocar os computadores em rede e alguém
que queira dar aula de informática
aos pequenos. Para as mães, elas
também têm planos - querem
ensinar técnicas de artesanato, como
tricot, crochê, pintura, reciclagem.
"Enfim, tudo que possa gerar renda",
constata Terezinha. Neste caso, há
voluntários, mas não tem material.
Solidariedade
Mesmo sendo reconhecido como de utilidade
pública em 17 de novembro de 2009,
o que permitiria que o governo destinasse
valores à entidade, o projeto recebe
colaboração apenas por parte
da comunidade. Entre as várias doações,
muitas ficaram marcadas na memória
das mulheres que compõem a diretoria,
como a entrega de 100 quilos de alimentos,
doados pela primeira-dama Mari Machado,
os advogados Márcia Rodrigues e Anzo
Guimarães. Estes atendem os beneficiários
do projeto gratuitamente. As diretoras destacam,
ainda, a ajuda da Secretaria de Obras, por
meio do titular, Hélio Bênia,
além de Patrícia Salgado,
do Grupo Santanenses Solidários,
Carmen Serralta e Marco Aurélio Righi,
o qual financiou o conserto de um computador
do projeto.
A ajuda também vem de longe. No dia
20 de fevereiro, o programa realizou um
jantar para receber o vereador Cezar Paulo
Mossini, presidente da Câmara de Vereadores
de Canoas. Na oportunidade, Mossini recebeu
o orçamento para a construção
de um salão, o qual deverá
ser erguido em um terreno que já
foi comprado por Cleia e Teresinha. O objetivo
é alugar o local para aulas de música,
dança, teatro e outras atividades
culturais, com a condição
de que as crianças beneficiárias
do programa não paguem para participar
das aulas. Na última sexta-feira,
a diretoria viajou a Canoas para conversar
com Mossini, que as apresentaria a empresários
que poderiam financiar o projeto. Cleia
e Teresinha retornam hoje à Fronteira
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