Atendimento
igualitário faz parte do cotidiano
na Fronteira da Paz
Idealizado pela Comissão Binacional
de Saúde, o atendimento à
população de forma igualitária
dos dois lados da Fronteira é realidade
em Sant'Ana do Livramento e Rivera. Antes
informal, a troca de serviços entre
as autoridades de saúde é
hoje regulamentada e traz benefícios
aos pacientes - um exemplo são os
180 partos de brasileiros executados a partir
do acordo binacional, aprovado em 8 de dezembro
pelo Senado e que envolve oito municípios
brasileiros na fronteira com o Uruguai.
Oficializado em reunião da Comissão
Binacional no mês passado, o acordo
garante atendimento básico à
população, como já
acontecia, e regulamenta a compra de serviços
especializados. "Atendemos uruguaios
e doblechapas, os que não tem documentação
brasileira na rede básica e no até
no pronto-atendimento, mas se tiver complicações,
como cirurgia, isso não é
feito porque não haverá ressarcimento
do SUS (Sistema Único de Saúde)",
detalha o integrante da Comissão
Binacional e secretário municipal
de Saúde de Livramento, Valmir Silveira.
Nestes casos, é mantido contato com
Rivera e então o paciente é
encaminhado para atendimento no Uruguai.
Segundo Silveira, outro exemplo de funcionamento
do acordo houve dias atrás, quando
foi necessário um exame de endoscopia,
para o qual foi chamado um médico
uruguaio. Além disso, ambulâncias
brasileiras ou uruguaias podem circular
livremente na Fronteira, o que não
ocorria antes do acordo.
Do lado uruguaio, a médica Iza Gonzalvez,
diretora do Departamento de Saúde
e coordenadora da Comissão Binacional,
afirma que ainda não precisou fazer
uso do acordo. "Não é
que a gente cruza livremente para atendimento,
pois isso tem um custo", esclarece.
Conforme ela, as duas cidades contam com
estrutura semelhante, portanto, ainda não
houve necessidade de contratar serviços
em Livramento. "Na atenção
primária de saúde, nos bairros,
estão sendo atendidos os moradores,
independente da nacionalidade, pedem só
o comprovante de residência",
diz. Para ela, a iniciativa é boa
porque legaliza situações
que antes aconteciam por acordo direto.
Conforme o secretário Valmir Silveira,
essa regulamentação abre portas.
Um exemplo seria a concretização
de um antigo projeto - a construção
da Unidade Básica de Saúde
Binacional.
Criado em 2005, o Comitê Binacional
de Saúde é formado por 15
brasileiros e 15 uruguaios, sendo 50% usuários,
25% gestores e prestadores e 25% trabalhadores
na saúde. Mesmo antes do acordo,
a entidade promove ações envolvendo
os dois lados da Fronteira, como as mobilizações
no dia de combate á Aids (1º
de dezembro) e ações de prevenção
contra o mosquito da Dengue. Outros setores
da Saúde, como o Centro de Atenção
Psicossocial (Caps) também prestam
atendimento a brasileiros e uruguaios.
|