Risco para quem
bebe,
prejuízo para quem vende
Empresários santanenses assistem
à queda nas vendas de bebidas chegar
a 40%
Tolerância zero para a combinação
entre álcool e direção.
Esta tem sido a frase mais ouvida em todo
o país desde o dia 20 de junho, data
da entrada em vigor da nova lei de trânsito
que prevê multas pesadas, remoção
de veículos, prisão, e até
mesmo a perda do direito de dirigir aos
motoristas que forem flagrados dirigindo
com o teor de álcool acima do permitido
pela lei.
Aliado a isso, os comerciantes já
observam a diminuição no volume
das vendas de bebidas e da freqüência
de clientes que, simplesmente, desapareceram
dos plantões, bares e restaurantes.
O medo de ser pego em uma das muitas barreiras
policiais e não ser aprovado no teste
do etilômetro provoca um efeito em
cadeia capaz de reduzir o consumo em aproximadamente
40%.
Ontem, a reportagem do Jornal A Platéia
procurou os empresários proprietários
de plantões de bebidas instalados
ao longo da avenida João Goulart,
no centro da cidade, e ouviu destes as mesmas
reclamações: os clientes desapareceram.
Redução de custos
"Nossas vendas caíram significativamente
desde a entrada em vigor da nova lei. Sinceramente,
está ficando cada vez mais difícil
trabalhar. Estamos cortando as despesas,
reduzindo gastos para poder suportar a diminuição
das vendas provocada pela nova lei",
afirmou o empresário Paulo Maciel,
proprietário de um dos plantões
de bebidas mais procurados da BR. O empresário
afirmou ainda ser favorável à
lei, porém, acredita que o governo
deverá ser mais flexível e
se render aos apelos dos proprietários
de estabelecimentos comerciais a fim de
evitar uma forte quebra no setor.
Airton Silveira Vargas, também proprietário
de um plantão de bebidas na avenida
João Goulart, afirmou que a queda
nas vendas no seu estabelecimento também
chega à casa dos 40%. "Estou
muito preocupado com os efeitos dessa lei
a longo prazo. As pessoas estão com
muito medo de parar aqui e beber, pelo menos,
uma cerveja porque sabem que poderão
cair nas barreiras policiais e serem multadas.
Acho também que esta é apenas
uma questão de cultura e de adaptação.
Os brasileiros irão se acostumar
e achar meios de beber nos mesmos lugares
de sempre desde que mantenham por perto
alguém que possa dirigir", afirmou
Airton.
Depósitos fechados
Caixas e mais caixas de cerveja ficam empilhadas
nos depósitos à espera dos
clientes na incerteza da presença
dos mesmos. Os dois empresários entrevistados
foram unânimes ao afirmar a necessidade
de redução dos pedidos de
bebida aos fornecedores uma vez que o risco
do produto permanecer estocado é
maior agora. Os dois afirmaram ainda que
a queda no movimento também se deve
a baixa circulação de dinheiro
na cidade e do frio do inverno, que chegou
rigoroso em 2008.
Se por um lado, a lei muda as atitudes,
por outro, provoca polêmicas. A OAB
(Ordem dos Advogados do Brasil) deve recorrer
ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra
a lei de tolerância zero.
De acordo com os advogados, o artigo que
prevê punição para o
motorista que se recusar a soprar o bafômetro,
mesmo sem qualquer sinal de embriaguez,
é inconstitucional.
Enquanto a discussão acontece é
melhor se prevenir e realmente não
beber se for dirigir.
O limite imposto pela nova legislação
e que represente sinal de embriaguez depende
muito do tipo físico do motorista.
Em média, 0,6 decigramas representa
três latas de cerveja, dois copos
de vinho ou uma dose bem servida de qualquer
destilado.

CLEIZER MACIEL/AP
O empresário Airton Silveira vê
crescer no seu depósito uma montanha
de caixas de bebidas cada vez maior

CLEIZER MACIEL/AP
Paulo Maciel acredita que, se as mudanças
não vierem logo, muitos estabelecimentos
terão que fechar as suas portas
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