A quem não se entrega
Tem gente que não conhece a Fronteira,
muito menos as pessoas daqui. Tem candidato
a cargo público que nunca colocou
o pé no barro da vila, nem mesmo
sabe onde fica determinada rua. E querem
adivinhar os problemas das pessoas... Meio
contraditório.
Emoções, sentimentos e realidades
que, adversas, constituem a plêiade
de problemas do santanense, sobretudo daqueles
que estão abaixo da linha de pobreza
ou sobre os quais a miserabilidade impacta
com grande força. Entretanto, é
preciso dar conhecimento de que sempre há
uma solução, mesmo que árdua,
dificultosa, sempre há. Depende de
atitude e procura, perseverança e
dedicação, fé e capacidade
de não permanecer com pena de si
próprio e correr atrás daquilo
que deseja.
Desistir não é uma palavra
bem-vinda. Esmorecer deve ser riscado do
dicionário. Muito se fala hoje em
casos de sucesso, vencedores, entre uma
infinidade de outras expressões similares.
É uma questão de conceitos.
Vencedores, nos tempos de hoje, na Sant'
Ana que precisa desenvolver, são
aqueles que aqui ficam e, batalhando como
leões, não temem a agressividade
da miséria e buscam sair dela. São
aqueles que não desistem e que procuram
não apenas sobreviver nesse difícil
período de dificuldades mas também
crescer, como cidadãos e como seres
humanos.
Homens, mulheres, jovens, pais, mães,
donas-de-casa, trabalhadores braçais,
porém dotados de grande criatividade,
que traçam cansativas rotinas diárias
de esforço pessoal que garantem a
renda familiar, a sobrevivência e
o prato de comida na mesa ou a oportunidade
de adquirir bens, crescer, marcar uma trajetória.
São aqueles que teimam em acreditar
no amanhã e no hoje, no próximo
e em si próprios. E são, igualmente,
as provas vivas de que ainda é possível
acreditar nas potencialidades tão
propaladas de Sant' Ana do Livramento, porque,
além de todos os recursos naturais,
o município conta com uma das mais
eficazes armas contra a crise econômica:
a força de vontade e a disposição
para o trabalho de seu povo. Santanense
não se entrega.
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