Piñera
assume hoje, em meio aos escombros
Tenho acompanhado com interesse
especial os acontecimentos no Chile, porque
tudo mudou em poucos dias, desde que deixei
Santiago na ante-véspera do terremoto
do último sábado de fevereiro.
As imagens transmitidas pela televisão,
diariamente, são mesmo impactantes.
E sabe-se agora que o número de mortos
aconteceu menos pelo terremoto e mais por
consequência do tsunami que veio logo
depois. E que houve falta de informação
adequada, por parte das autoridades da Marinha,
para prevenir turistas e os próprios
chilenos sobre os perigos iminentes.
Neste 11 de março, cumprindo a Constituição,
há troca de comando na presidência
da República: a socialista Michele
Bachelet entrega os destinos do país
a um homem de centro-direita, o empresário
Sebastian Piñera, tido como uma das
maiores fortunas do mundo.
As preocupações do novo presidente
não se resumem agora apenas à
herança de desafios constituídos
pelos problemas sócio-econômicos
do país, como é o caso do
déficit recorde de 4,5% do PIB nas
finanças públicas.
O presidente do Banco Central chileno, José
De Gregório, confirmou que os efeitos
dos desastres climáticos sobre a
economia do país são complexos:
- Vamos ter alguns meses com muitas dificultades
para o desenvolvimento da atividade econômica".
Mas ele acredita que, graças exatamente
aos recursos a serem aplicados em áreas
afetadas, a economia tem boas chances de
se recuperar já no segundo semestre.
No início desta semana, Piñera
anunciou que, inevitavelmente, tão
logo receba o cargo, as primeiras medidas
a serem postas em prática, hoje mesmo,
são todas voltadas à solução
de problemas essenciais e prioritários:
habitação, saúde e
educação. Para essa tarefa,
Piñera decidiu formar uma comissão
interministerial e convocar para integrá-la
também especialistas de diferentes
áreas e alguns executivos e empresários
de renome para tarefas específicas.
Eles não serão membros dos
quadros funcionais, apenas vão emprestar
suas capacidades nesse processo de reconstrução.
Relações com o Brasil
Na semana que antecedeu o terremoto, um
dos temas enfocados pela imprensa eram as
relações do Chile com o Brasil.
Piñera atribui tanta importância
a isso que havia anunciado: sua primeira
visita ao exterior, após a posse,
seria ao Brasil.
Um editorial do "La Tercera" saudou
essa decisão, lembrando que "ao
longo da história, o Brasil teve
relações amistosas com o Chile
e é um aliado natural da região".
Lastimável que o presidente Lula
tenha cancelado sua ida à posse de
Piñera. Seria um gesto a mais de
solidariedade a um país amigo, num
momento de transição democrática,
quando Piñera assume o governo em
meio aos escombros causados por fenômenos
da naturaza. |