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    Escolha
    presidencial

    Embora parte expressiva da população brasileira tenha inclinação tida como conservadora, apegada a valores e referências morais, economia subordinada ao mercado e intervenção do Estado mínima, estas bandeiras não serão levantadas pelas principais candidaturas que concorrem ao pleito de 2010. Na verdade, todos os candidatos viáveis que se apresentam até agora a escolha presidencial tem origem política no campo denominado progressista. Com efeito, José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) restringem o cardápio de propostas a uma agenda que valoriza a esfera pública, as organização sociais e a descentralização do poder. Basta atentar para o campo onde se encontra a polarização do poder político, entre o PT e o PSDB para se ter certeza desta realidade. Desde 1994, que tucanos e petistas se enfrentam e revesam a primeira e segunda posição nas eleições, sendo que em 2006 alcançaram somados, 90% dos votos válidos. De sorte que vem restando uma fatia muito pouco expressiva para os candidatos tidos no passado como de direita, que nas eleições de 1989, por exemplo, também somados, atingiram quase a metade dos votos. Nestas circunstâncias, gostemos ou não, o viés de escolha vem sendo pragmático, inclusive com a adesão permanente do grupo minoritário mais conservador, que por interesse invariavelmente tem se acomodado no projeto de poder vencedor, seja o PT ou o PSDB. Esta acomodação, com adesão total, bem como os novos "ares" do mundo após a grande crise internacional, tiraram da pauta e do debate temas de maior dimensão como o liberalismo econômico e o conseqüente estado mínimo, privatização de empresas estatais e o crescimento econômico incondicional. Desta maneira é certo que na escolha que todos faremos em 2010 não será de alternância de poder programática, nem tampouco de mudança de rumo com relação a visão de mundo, modelo de estado ou inserção internacional. Não restam dúvidas que os protagonistas representam a geração que enfrentou o regime militar anos 60 a 80 e que vão preservar o modelo capitalista com maior ou menor valorização da espera pública e caráter intervencionista junto a todos os segmentos da sociedade. Esta a razão pela qual os partidos mais tradicionais estão divididos e o eleitorado vinculado a cada um deles também tem suas dúvidas e assim permanecerá até colocar seu voto na urna. Ora, o PP, com um imaginário mais conservador, participa expressivamente no Governo Lula, ocupa Ministérios, cargos importantes, da sustentação, seus prefeitos tem vínculos. Então o mínimo que se pode dizer é que estará dividido, quando se sabe que muitos setores defendem a candidatura de Serra. O PMDB, ostentando o segundo maior número de cargos no Governo Federal, deverá indicar o vice na chapa de Dilma. Precisa dizer mais? E o PDT participa no Governo e também estará apoiando a candidatura que representa, apesar de setores que ainda resistem ao PT. Este o cenário em que o eleitor vai ter de examinar as diferentes propostas, os detalhes e particularidades em cada campo de ação e proceder sua escolha, mesmo sabendo que a visão de mundo vem de uma mesma vertente e que o pragmatismo do dia seguinte será inevitável.
    Afonso Motta
    Advogado e Produtor Rural