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Especial

A mudança do Diário para o Semanal

Entrevista com Eugênio Esber

A Plateia: Como o senhor avalia a mudança de um jornal Diário para semanal?

Eugênio Esber:

A intenção não é machucar ninguém, nem os mais conservadores. A realidade é que o Jornal diário em papel ele já acabou. Eu considero que um projeto acaba, quando a sua perspectiva de futuro acaba. Quando a gente diz que o jornal diário em papel acabou, as pessoas dizem: “mas como? Em todo o Brasil e em todo o mudo existem jornais diários em papel? E eu digo: não, pois acabou a perspectiva de futuro, justamente porque são jornais que estão perdendo o vigor econômico, pois uma outra forma de distribuir informações do jornal diário e meio eficiente surgiu, que é o meio digital e toda esta parafernália de conectividade e de mobilidade, e isto são aspectos da tecnologia presente na vida da pessoa.

O jornal diário em papel se tornou uma plataforma extremamente cara e com uma relação custo-benefício, para quem opera a empresa jornalística, extremamente desfavorável. O que eu disse no Congresso da ADI e presumo que boa parte da plateia presente deve ter ficado contrariada foi: ao invés de gastarem pintando papel todos os dias, pensem que vocês podem economizar este dinheiro de imprimir, colocar num caminhão e toda esta logística e invistam em inteligência de Redação, inteligência Comercial e de Projetos. A Redação é a alma de uma operação jornalística e de produção de conteúdo. Então, na melhor das hipóteses, um jornal impresso diário pode se tornar semanal, contudo, ele não pode ser baseado no mesmo sistema que há hoje, baseado em notícias e fatos banais, pois este jornal ele não deve existir mais, pois se é para não ter criatividade, que não provoque a comunidade e não leve inteligência de conteúdo, esse jornal nem deve existir, nem diário e nem semanal. Agora, o jornal semanal que adotar um jornalismo analítico, provocador das grandes questões da comunidade, um jornal que galvanize, que mobilize a comunidade em torno dos grandes temas e que assuma o seu papel de propor a agenda do desenvolvimento regional, a agenda das grandes questões da sua cidade e região, esse jornal ainda tem espaço. Então, ao invés de gastar dinheiro com isso, vamos gastar com investimento, capital humano, com inteligência de redação, pois é isto que faz um grande jornal.

Esta transformação da Plateia em semanário, é um passo importante e parabenizo a empresa pela coragem dessa decisão. Este não será um caminho fácil, porém, mais lúcido e luminoso”.

Eugênio Esber

* Com uma trajetória que começou há 38 anos na redação do Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, Eugênio Esber completou em 2017 três décadas de atuação no jornalismo econômico. Como diretor de Redação da Revista e do Portal AMANHÃ, e diretor de Conteúdo do Instituto AMANHÃ, Esber atua na coordenação do Projeto Cenários de AMANHÃ, que há mais de 20 anos promove a discussão de caminhos e modelos inspiradores para o desenvolvimento da economia gaúcha. Também comanda a execução de projetos de AMANHÃ com foco na Região Sul, entre eles os rankings 500 Maiores do Sul, Campeãs de Inovação e Top of Mind.
Em 2017, foi agraciado com o prêmio Jornalista de Economia do Ano do Rio Grande do Sul, outorgado pelo Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Sul (Corecon-RS). Foi, também, no mesmo ano, finalista do Prêmio “Os mais admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças”, promovido por Jornalistas & Cia., de São Paulo.
No âmbito do RS, Eugênio Esber teve seu trabalho reconhecido por entidades como o PGQP e a Abimec-Sul, no âmbito do RS, tendo sido agraciado, ainda, pelo Prêmio Bovespa de Jornalismo. Pelo “Projeto Educação”, de AMANHÃ, recebeu da ANDI, ao lado de outros profissionais brasileiros, o título de “Jornalista Amigo da Criança”.
Formado pela PUCRS, Esber teve uma passagem de cinco anos pelo Correio do Povo como repórter especial, editor e, ainda, uma experiência como “ombudsman” da publicação.
Eugênio é sócio da Novo Texto, empresa pela qual ministrou workshops na área da comunicação em vários Estados brasileiros, com foco em temas como Jornalismo Econômico e Ética nas Relações entre Jornalistas e Fontes/Porta-Vozes. Escreveu a peça de treinamento O drama e a comédia de ser notícia.
Ministrou palestra em eventos da ADI-RS – a última das quais por ocasião do Congresso de Diários do Sul do Brasil, em 2017, em Canela-RS, em que preconizou, entre outras transformações, a reinvenção do jornalismo impresso do ponto de vista dos conteúdos que oferece e, também, da periodicidade – da edição diária para a edição semanal.
Em 2017, lançou a biografia “Um certo Mr. Elbling” (Editora Bookman).

Por: Elis Regina - elisregina@jornalaplateia.com - 27/01/2018 às 0:00

 

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