PUBLICIDADE faculdade Fael

Artigo

Palestina Livre

Como você se sentiria se morasse em um país ocupado por um exército de outro país? Qual seria a sua disposição se, para se locomover na sua própria terra, tivesse que ultrapassar barreiras controladas por soldados estrangeiros? Que reação você teria se militares de outro país pudessem entrar sem permissão em sua casa, prender os seus filhos e até destruir sua moradia se houvesse qualquer suspeita não comprovada de que você é um militante nacionalista?
Pois é assim que vivem os cerca de 4,5 milhões de palestinos que resistem à ocupação israelense na Cisjordânia e em Gaza. É o que podemos chamar de um povo oprimido, praticamente escravizado em sua própria terra, mas que nunca deixou de lutar por sua liberdade e independência.
Hoje é o dia internacional de solidariedade ao povo palestino. Foi em 29 de novembro de 1947 que a ONU determinou, sem qualquer consulta à população que vivia na região, a criação de dois Estados nos territórios palestinos: Israel, com 30% da população e 53% do território, e a Palestina, que ficou com 70% da população e 47% do território. A decisão da ONU, fruto de uma disputa geopolítica mundial, que ainda tem fortes interesses em jogo no Oriente Médio, gerou uma guerra de resistência que se prolonga, em diferentes moldes, até hoje, sem o reconhecimento formal do Estado Palestino.
Nos vários eventos de enfrentamento que aconteceram até hoje, Israel, com o apoio americano, ocupou terras palestinas e tem mantido, durante décadas, um verdadeiro apartheid na região, inclusive construindo um muro para dividir o seu território das áreas em que moram a população árabe, ocupando as regiões mais produtivas e deixando aos palestinos as áreas mais áridas, tornando-os párias em sua própria terra.
Por conta dessa situação histórica, a Palestina se tornou um dos lugares com maior desigualdade do planeta. Não se trata tão somente de uma desigualdade entre ricos e pobres, mas de uma distribuição desigual das riquezas com fundamento étnico, o que, em pleno século XXI é absolutamente ilegítimo, além de ilegal frente às resoluções da ONU, que obrigam à devolução das terras ocupadas.
Pelo menos desde a década de 90 do século passado, várias iniciativas foram tomadas para alcançar a paz. O próprio governo israelense, em um determinado momento, sinalizou que estava disposto a consolidar um nível de coexistência pacífica com os palestinos, aceitando a sua constituição como Estado Independente e Livre. Entretanto, a cada tentativa de construir a paz, movem-se interesses gigantescos, que vão do lobby armamentista americano aos petrodólares das arcaicas monarquias da região, para a manutenção do status quo opressivo sobre os palestinos.
O Estado Palestino já está reconhecido por mais de 100 nações em todo o mundo, inclusive pelo Brasil. Esse povo, cuja maior parte (cerca de 8 milhões) vive a sua diáspora em todo o mundo, tem mais de 50 mil membros vivendo em nosso país, a grande maioria em nosso estado e aqui mesmo em Livramento. Aqui, contribuem diariamente para o nosso desenvolvimento, mantendo um compromisso exemplar com o trabalho e com o convívio em comunidade.
Hoje, por conta desta data, estamos recebendo o embaixador da Palestina no Brasil na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Junto com milhões de pessoas em todo mundo, queremos, com esse gesto, dizer que, mesmo distantes geograficamente, estamos perto da luta dos palestinos por sua liberdade e sua independência. Nada justifica a opressão a que estão submetidos. Palestina para os palestinos!

Por: *Luiz Fernando Mainardi deputado estadual (PT) - 29/11/2017 às 0:00

 

Deixe seu comentário

Outras Notícias

+ Notícias
PUBLICIDADE