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A depressão está por todos os lados

A depressão não tem idade para se manifestar nas pessoas e os motivos são os mais variados

Um distúrbio mental que pode se desenvolver em qualquer pessoa, de todas as idades. A depressão, considerada a doença do século XXI, tem como principal sintoma a perda de vontade e de projetos futuros. Em 2000, um relatório da Organização Mundial da Saúde já previa que 15% da força de trabalho mundial abandonaria seus trabalhos por motivos relacionados à doença.
Muitos pensam que a depressão é uma realidade ainda muito longe, mas não é. Em Sant’Ana do Livramento, existem três tipos de atendimentos gratuitos para as pessoas que sofrem do distúrbio. A Reportagem do jornal A Plateia foi conhecer como funciona o trabalho.
Segundo Silvia Leontina Nequesaurt Vieira, médica responsável pela ala psiquiátrica do hospital Santa Casa, a depressão é causada pela combinação de fatores genéticos, ambientais e psicológicos. O diagnóstico é clínico, através de uma avaliação do estado mental do paciente. “A abordagem inicial para diagnóstico pode ser feita por clinico, médico de família e de outras especialidades para identificar o caso, explicar ao paciente o diagnóstico e as bases do tratamento, iniciando o tratamento ou encaminhando ao especialista em saúde mental. Em situação de emergência, faz-se a abordagem clínica e se solicita atendimento psiquiátrico para confirmar o diagnóstico, estabelecer o tratamento e manter o acompanhamento”, explicou. O tratamento é psiquiátrico (terapia), medicamentoso (antidepressivos) e psicológico. “É importante ressaltar que se trata de um tratamento longo, por no mínimo, 12 meses. Ao longo desse período tem que haver o comprometimento da família, pois possibilita uma melhor recuperação do paciente. Geralmente os especialistas orientam que o paciente realize atividade física. Quando existe risco de suicídio iminente, a internação hospitalar se faz necessária”, disse Silvia. E concluiu: “é importante ficar atento aos sintomas, e, quando percebidos, procurar o médico imediatamente”.

Atendimento

A médica responsável pela ala psiquiátrica do hospital Santa Casa, Dra. Silvia Leontina Nequesaurt Vieira, destacou que existem na Santa Casa 14 leitos disponíveis para pessoas que tem doenças relacionadas à depressão. Segundo ela, ainda existe muito preconceito com a internação na ala, até mesmo entre os pacientes. “Muitas pessoas que são internadas aqui dizem não querer estar aqui pois afirmam ser um local para loucos, e não é assim”, disse ela ressaltando que é uma ala preparada para o tratamento de todos os tipos de problemas.
A médica contou também que atua em mais dois locais públicos no atendimento psiquiátrico. Silvia conta que existe o Centro de Atenção Psicossocial I (CAPES I), que é destinado ao atendimento de pessoas com doenças mentais, sendo que 40 pessoas são atendidas no local por dia. “Também existe o CAPES AD (Álcool e Drogas), ambos ficam na avenida João Manoel, sendo o I no número 817 e o AD no número 277”, explicou.
No local não são realizadas internações, mas sim o atendimento diário aos pacientes que buscam ajuda. “Quando necessitamos de internação recorremos para a Santa Casa”, explica ela. Indagada sobre quarto com isolamento a médica disse que o hospital santanense não disponibiliza. “Às vezes usamos dois quartos para fazer isolamento, mas não dispomos de espaço para isso e quando precisamos transferimos para Pelotas e Rio Grande”, no sul do Estado, explicou a médica.

DEPRESSÃO

• É um distúrbio mental caracterizado pela permanência de, pelo menos 5 dos sintomas abaixo, por pelo menos duas semanas, ininterruptamente:
• Falta de prazer nas atividades que normalmente eram agradáveis.
• Diminuição do apetite e/ou do peso.
• Distúrbios do sono.
• Agitação ou languidez intensa.
• Fadiga constante.
• Sentimento de culpa.
• Dificuldade de concentração.
• Ideias recorrentes de suicídio ou morte.
• Preocupação exagerada com pequenos problemas da vida.
• Dificuldade para tomar banho, cuidar de sua higiene pessoal, ler, assistir à televisão ou ouvir música.
• Automutilação (comportamento autodestrutivo).

Vale ressaltar, que ainda existem outros tipos de depressão:

• Distimia ou depressão leve: é igual à depressão maior só que os sintomas são menos intensos e perduram por mais tempo
• Depressão atípica - nesta os sintomas são: sono excessivo, fortes sinais de rejeição, hiperfagia e ganho de peso, grande impacto na vida social e familiar.
• Depressão pós-parto: ocorre pela diminuição hormonal e da grande ansiedade, desgaste e frustração durante a gravidez. Causando anedonia e apatia.
• Tensão pré-menstrual (TPM) há depressão acentuada com irritabilidade antes da menstruarão. Afeta 40 a 75 por cento das mulheres em idade fértil. Caracteriza-se por apresentar cinco dos sintomas clássicos da depressão durante o ciclo menstrual com piora dos sintomas antes da chegada do fluxo menstrual, os quais desaparecem após.
• Pesar (luto)
• O luto não e um tipo de depressão, mas apresenta sintomas semelhantes. Porém, o luto é uma resposta emocional saudável e importante quando se lida com perdas. Diferencia-se da depressão pelo tempo, pois normalmente é limitado com um tempo de duração de três a seis meses.
• Segundo a OMS, em 2020, a depressão será uma das doenças de maior índice de mortalidade depois das doenças cardiovasculares.

Os fatores de risco são os seguintes:
• História familiar (pais, irmãos)
• Sexo feminino (2:1)
• Distúrbios do sono
• Bebidas alcoólicas
• Drogas ilícitas
• Inibidores do apetite
• Privação afetiva ou social na infância
• Antecedentes de abuso físico ou sexual
• Problemas crônicos de saúde

Por: Rodrigo Evaldt - rodrigo@jornalaplateia.com - 15/07/2017 às 10:30

 

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