ISSO É PROFISSIONALISMO?
Sinceramente, nunca me interessei por corridas
de Fórmula 1. Conheço de nome
apenas os pilotos vencedores que vão
para as manchetes de jornais e para os noticiários
televisivos, por uma razão óbvia:
as corridas de F1 são overdose de
informação.
Numa boa, as corridas me lembram os desfiles
de carnaval na Sapucaí. É
tudo igual e notícia interessante
só para saber quem chegou em primeiro
e se deu acidente. Na F1, trombada, no desfile
de carnaval se alguém caiu de cinco
metros de altura rebolando num carro alegórico.
Mas o que aconteceu na última corrida
que não vi, mas li na segunda-feira,
foi demais. O piloto brasileiro Felipe Massa
recebeu ordem de aliviar o pé e deixar
seu parceiro Fernando Alonso tomar a dianteira
e vencer a prova.
Para Felipe Massa, mesmo que tenha decepcionado
seus milhões de admiradores no Brasil,
tratou-se de um caso de "profissionalismo".
Profissionalismo? Então estamos diante
de repetições da mesma ordem
no futuro?
Não há nada mais profissional
em matéria de competição
"esportiva" que as corridas de
F1. Tudo é tão profissional
que tudo é vendido e são muitos
milhões (ou seriam bilhões)
investidos em carros, publicidade, direitos
de transmissão.
O profissionalismo, no entanto, tem alguns
limites que poderiam ser chamados de éticos,
os quais, quando conspurcados deixam de
fazer parte de uma competição
esportiva para se transformarem em algo
indigno para quem gosta de torcer e vibrar
por seus ídolos.
Felipe Massa assumiu a safadeza da Ferrari,
assim como Nelsinho Piquet já tinha
assumido aquele "acidente" para
favorecer o mesmo Fernando Alonso, no ano
passado, em Cingapura, quando ambos corriam
pela Renault.
Tão profissional quanto a F! é
o atual futebol mundial. Mas ainda não
chegamos ao ponto de um atacante perder
um gol cara a cara com o goleiro ou este
tomar um frango para o benefício
de outro clube.
Bem, pode até haver tal possibilidade
no futebol, mas nenhum jogador assumiria
a responsabilidade de perder ou de estar
vendido publicamente, em entrevista coletiva.
O profissionalismo da F1 é patético.
Felipe Massa não se vendeu, é
claro. Ele está "comprado"
contratualmente pela Ferrari. F1 não
é esporte. É apenas um grande
negócio para quem está dentro
dele.
RUBINHO LEMBRA (1)
Rubinho Barrichello já vivido situação
semelhante na mesma Ferrari quando deixou
Michael Schumacher vencer o GP da Áustria
em 2002. Foi criticadíssimo pelo
gesto "profissional" determinado
por sua escuderia.
RUBINHO LEMBRA (2)
Ontem, Barrichello recordou o que passou
naquela ocasião. "Muitos entenderam
agora como foi em 2002. E entenderam também
porque deixei a Ferrari um ano antes do
final do contrato". Será um
recado para Felipe Massa fazer o mesmo?
NAÇÃO INDÍGENA (1)
Lembram da Reserva Indígena Raposa-Serra
do Sol? Lembram quando produtores rurais
foram expulsos para que os nossos índios
pudessem ter a sua "nação"
indivisível, intocada e mantida fora
dos "brancos predadores", mesmo
que estes "predadores" fossem
os responsáveis pela riqueza agro-pastoril
do estado de Roraima?
NAÇÃO INDÍGENA (2)
Pois está na mesa do presidente
Lula um relatório reservado preparado
pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência)
revelando que governos estrangeiros, ONGs
e o Conselho Indigenista estão estimulando
a criação de um "estado
independente", em Roraima, com autonomia
política, administrativa e judiciária.
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