sex, 21 de janeiro de 2022

Aplateia Digital - 8 e 9/01/2022

Última Edição

A ALICE É UMA MARAVILHA!

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Buenas!,

            Certamente vocês conhecem a Alice que citei semana passada. Não, não estou falando da “Alice no país das maravilhas”, que sugeri como leitura para iniciarmos um ano renovado e desconectado através dos livros. Falo, isto sim, da Alice que se tornou uma sumidade das redes sociais.

Se eu tivesse dito logo de cara: a Alice das “palavlas difíceis”, meus antenados leitores identificariam de imediato,  mesmo aqueles que frequentam vez ou outra as redes sociais (porque certamente intercala-a com a leitura de bons livros,não é?). Quem aqui não viu a menininha que estrela uma propaganda na televisão com ninguém menos que Fernanda Montenegro, a musa das artes cênicas e agora imortal da Academia Brasileira de Letras?

Se isso fosse pouco, ela foi além, realizou o sonho de dez em cada dez crianças nascidas após os anos 1970: ela se tornou personagem da Turma da Mônica! Dá para acreditar nisso? Entendo que a atual tecnologia facilitou o conhecimento dela pelo Maurício de Sousa. Porém, a ponta de Iago que habita em mim me obriga a admitir um dedal de inveja. Ser um personagem de revistas como a da Turma da Mônica sempre foi um de meus desejos mais secretos…

Pronto, agora ninguém pode dizer que não sabem de quem estou falando, da menininha que tornou-se um fenômeno das redes sociais desde que a mãe começou a compartilhar vídeos da pequena notável falando palavras complexas inclusive para adultos com curso superior. Ela fala, brinca, canta, toca instrumentos, “lê” revistas, come e brinca, boa parte captado pelas câmeras da mãe de primeira viagem.

A Alice surgiu meteoricamente nas redes durante a pandemia. Não concebo um ser humano que tenha visto seus vídeos e tenha ignorado o brilho que emana de seu olhar ou a simpatia com que a precoce menina pronucia tais palavras difíceis, dentre outras singelas façanhas.

Aliás, o que é aquele olhar? Notaram que ela presta uma atenção diferenciada para tudo? Quando a Alice direciona seu olhar para o lado, sabemos que aquela maquininha de fofura tá construindo mais um raciocínio para, em seguida, disparar seus assertivos e surpreendentes comentários?

Outra coisa que observei, além da expressão pensativa e a pronúncia diferenciada, é o controle da motricidade fina. Ela desenha e escreve dominando não só o movimento do braço, factível para crianças com menos de três anos, mas controla o pulso para pintar, algo que surge próximo dos cinco anos em crianças com capacidade cognitiva normal.

Agora pergunto, do alto da minha fingida ignorância: como esta guriazinha destacou-se tanto? Não foi somente pronunciando palavras difíceis, mas também esbanjando um carisma invejável.

Será que ela é fruto do chamado determinismo científico do século XIX? Lembram da teoria que, baseada em Darwin e Comte, pregava que somos frutos do meio em que nascemos, da raça que nos originou e do momento histórico em que vivemos? A menina que tem pouco mais de dois anos nesse início de 2022, nasceu na Inglaterra, filha de pais gaúchos de origem ítalo-germânica. Eles, ambos engenheiros, migraram para a terra da Rainha há alguns anos, em busca de novas oportunidades.

Alice nasceu na metade de 2019, meses antes da pandemia explodir e acabou recebendo uma educação caseira, não foi para a escolinha até metade do ano passado. Então, como boa criança moderna, foi criada com televisão e vídeos no celular, certo? Errado! E agora cheguei onde queria. Abrirei novo parágrafo, para conceder a pompa necessária ao que quero dizer.

Saibam, pais modernos, ela não assiste tevê nem, no máximo, aulas de música via vídeo-chamada e os próprios filmes gravados pela progenitora. Analisando sua capacidade, penso que ela deve possuir uma predisposição genética à inteligência, porém, acredito que, além disso, a educação recebida em casa somou-se ao momento histórico da pandemia, que manteve a criança o mais perto possível da família.

Felizmente, apesar da pandemia, a família teve condições sociais e econômicas de dedicar boa parte de seu tempo para educá-la em casa – e terá muito mais, com o dinheiro que estão recebendo pela participação do pequeno prodígio em diversas campanhas publicitárias.

A propósito, essa exposição gerou algumas polêmicas, como tudo que é colocado na mídia nos dias atuais, e reverberou mais que a derrota napoleônica. Contudo, a mãe garante que procura preservar o mais possível a menina dos exageros midiáticos, tratando-a como uma criança, não como uma celebridade.

Apesar de aparecer em propagandas em horário nobre e estar em vídeos que veiculam em todos os tipos de mídias, a pequena Alice aparenta (e a mãe faz questão de salientar isto) estar participando de uma grande brincadeira. Outro ponto de interesse, senão, vejamos.

Lembram de quando eram crianças, felizes e serenas, com poucas cobranças, sem a preocupação de pagar boletos e mais boletos? Pois este passado bucólico que poetas como Casimiro de Abreu diziam ter “saudades da aurora de minha vida”, deveríamos ter vivido com maior zelo ao lazer e diversão, não concordam?

Hoje em dia, os pais com posses financeiras colocam os filhos em escolinhas de tempo integral, no balé, na natação, no tênis, na ginástica e cursos avançados de astronomia quântica na NASA. E ai deles reclamarem!

Talvez – e aqui insiro um questionamento aos que me leem e têm filhos, como eu – estejamos exagerando… bora ler uma revista com a Alice?

 

Morning Xpress

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