sex, 21 de janeiro de 2022

Aplateia Digital - 8 e 9/01/2022

Última Edição

A NOITE EM QUE AUTOGRAFEI PARA MIM MESMO

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Buenas!,

 

Já pediram seu presente ao papai Noel? Não sou muito crente na bonança promovida (e prometida) por um senhor acima do peso e morador de regiões gélidas, que entra por chaminés (quase inexistente entre os trópicos). Mesmo assim, fiz um pedido quando ainda inocente, em priscas eras medievais. Neste Dezembro, já crescido e nada ingênuo, surgiu o presente esperado por decênios: vou receber o autógrafo mais esperado de todos os tempos!

Certamente quem me lê neste calorento último mês do ano, conhece ou já se deparou com uma ocasião há muito almejada e que acabou por ser adiada. E isso acontece, geralmente, por exclusiva falta de foco ou perseverança de nossa parte, inclusive, por boicotes promovidos internamente. Ainda assim, culparmos os astros, as cartas ou terceiros, não é?

Isso é uma grande perda de tempo! Ao invés de acharmos não um responsável pela inépcia ou culpa, devemos achar alguém que tome as rédeas do corcel de nosso destino e galope triunfante rumo ao horizonte, superando as barreiras que nos auto-impomos – admito, ficou parecendo texto de autoajuda, mas hoje pode, afinal, é o caso aqui tratado.

Digo tudo isto pois acabei me tornando condutor do corcel nem tão alheio; a pedido dele, é claro. Hoje, sou testemunha ocular da história; enquanto aguardo a minha vez, lido com a expectativa da sua conquista: ele conseguiu, o meu autor preferido autografa o seu primeiro livro! O dia tão esperado chegou, ele atingiu os tão almejados 15 minutos de fama literária. E eu ali, só aguardando a minha vez na fila…

Antes de continuar esta saga, quero comentar uma curiosidade literária, afinal, é de histórias e da História que nos alimentamos. Sabiam que a realização de sessões de autógrafos surgiu no Brasil somente no final dos anos 1930? Com “Capitães da areia“, de 1937, o baiano Jorge Amado, e com “Olhai os lírios no campo“, de 1938, o gaúcho Érico Veríssimo, inauguraram esse costume tão tradicional na área cultural até os dias de hoje. Dizem os cronistas de então que, no ano do lançamento de “Olhai…”, a fila para receber um autógrafo do escritor gaúcho na famosa Livraria do Globo era gigantesca e durou por muito tempo…

Óbvio que o escritor neófito que ora autografa não tem tamanha expectativa. Dá para ver daqui de trás que ele enfrenta com dignidade e sorriso de orelha a orelha seus primeiros fãs e sua modesta, porém consistente fila. Claro que a maioria dos que aqui estão são amigos e parentes. Porém está escrito: bendito o escritor iniciante que cultiva boa quantidade de amigos e possui árvore genealógica robusta…

A parte boa é que ele sabe que fui seu maior incentivador. Tinha certeza desse dia ser um dia agendado em nosso calendário. Estive sempre ali, junto a ele, dando suporte. É certo que cobrei com energia também, noutras ocasiões deixei a corda correr, para não perder o autor. Outrora um chefe me disse: “um artista tu não “aperta”, tu dá a orientação e deixa ele criar seu caminho. Não podemos ditar regras a eles, iremos somente, engessar sua obra”, filosofava com a xícara de café na mão…

Contudo, estamos aqui porque houve cobrança e paciência, duas ferramentas que, equilibradas, podem mover o mundo, como diria Arquimedes com sua alavanca. Acompanhei seus processos criativos, as angústias existenciais de um projeto de escritor que agora se consuma em uma sessão de autógrafos, o ápice da carreira de qualquer escriba.

Não foi fácil, afinal, como a maioria das pessoas, ele erigiu o próprio muro crítico com o barro de sua insegurança, muro esse que foi desmanchado por uma enxurrada de autoconfiança. E a torrente veio na época menos esperada. Ao invés de lamentar as restrições pandêmicas, resolveu, enfim, organizar sua obra escrita e publicar seu primeiro livro.

Lembro do dia em que ele me confidenciou que a gota d’água na enrolação, foi a pandemia. “Imagine se eu pegar a desgraça da covid-19, partir desta e deixar todos os meus escritos e projetos literários elaborados com tanto esmero desde a juventude, trancados em um computador, esquecidos em um CPU ou numa nuvem virtual sem senha”, disse-me.

“Será que vão gostar?”, perguntou-me. Disse que, antes de publicar, nem se Deus existisse, teria a resposta almejada. Num ímpeto de bravura, falou-me que “iria vê-los materializados em papel, material utilizado há séculos para disseminar conhecimento!” Não acham surpreendente para quem tinha tantas dúvidas até bem pouco tempo?

E foi além, disse que não seria tão arcaico assim, seu livro também iria circular nas modernas redes como livro digital. Mas fazia questão de pegar em sua criação. E complementou: “somente o livro em papel pode receber autógrafos…”

E chegou o grande acontecimento! Aqui, na fila um tanto lenta em que me encontro, aprecio de canto de olho suas conversas, as pausas para fotos e os brindes realizados com o escritor. Todos querem eternizar esta situação única. Mesmo que ele se anime e produza outras obras (e ele disse que o fará!), nenhuma será igual a outra, essa sessão de autógrafo não se repetirá…

E, para conquista tão grande, nunca esqueçamos do trajeto que proporcionou este triunfo e, principalmente, do apoio que tive de mim mesmo para materializar meu primeiro livro.

Chegou minha vez! Faço pose para uma foto, registro o momento histórico enquanto eu autografo para mim mesmo meu primeiro livro. Faço aqui um brinde ao escritor que agora me torno e à ocasião que se concretiza. Parabéns, o primeiro livro a gente nunca esquece, imaginem o primeiro autógrafo!

 

Morning Xpress

Bolsas em queda nesta sexta-feira. O EuroStoxx cai 1,3% e os futuros do S&P 500 e do Nasdaq100 cedem 0,2% e 0,4%, respectivamente. As bolsas

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