qua, 22 de setembro de 2021

Aplateia Digital - 18-19/set/2021

Última Edição

EDUCAÇÃO EM PRÁTICA. É URGENTE!

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Buenas!,

 

            EDUCAÇÃO! Saibam, leitores atentos, que escrevi assim mesmo, com letras maiúsculas e em negrito de propósito, com a intenção clara e explícita de chamar a atenção para essa palavrinha que tirou o homem, por exemplo, da barbárie medieval e lhe aproximou das luzes renascentistas. Palavra exaltada há tempos nas páginas que redijo com esmero em meu espaço literário nem tão antigo assim…

Falo muito em educação qualificada desde que me entendo por gente. Porém, não posso esquecer que ela possui níveis diferentes mundo afora, mais ainda em terras pouco ilustradas e tupiniquins. Guardadas as devidas proporções, já fomos comparados com países de primeiro mundo e, ao mesmo tempo, com republiquetas africanas, tal a disparidade da nação continental que habitamos.

Se escrevesse um livro, aproveitaria o espaço para discutir com profundidade assunto tão sensível e premente. Contudo, escrevo uma crônica, logo, vou restringir minhas palavras a uma singela parcela dessa temática.

Mesmo quem não mora na capital gaúcha, viu nos sites e canais televisivos a quantidade de lixo que é recolhido às segundas-feiras na região da orla do Guaíba, próximo à Usina do Gasômetro. São toneladas de garrafas plásticas e de vidro, além de lixo orgânico, esparramadas sobre a grama que ali foi plantada para dar conforto aos transeuntes.

Tinha recém completado vinte anos quando desembarquei na capital dos gaúchos no final do século passado. Ao vislumbrar aquele rio – que descobri depois ser um lago – e aquele prédio habitado por exposições de arte, decidi: vou morar aqui pelas redondezas. Para terem uma ideia do quão diferenciado era o local, houve um período em que toda quinta ocorria um show instrumental de violino, piano ou sax ao pôr do sol. Hoje o prédio está fechado há mais de três anos para uma reforma, espero eu, será concluída em breve.

Felizmente, a obra da orla do gasômetro ficou pronta e atrai milhares de pessoas, principalmente aos finais de semana, tornando-se um dos principais pontos turísticos da cidade. Agora que arrefeceram as medidas de distanciamento pandêmico, mais gente ainda busca espaços abertos, para apreciar as belezas daquela área, mesmo que ninguém possa tomar banho ali, devido à poluição.

O recado que quero dar não é para meus educados leitores, mas sim para as milhares de pessoas que esparramam ali seu lixo. Não são todos, mas são muitos os que esparramam lixo no local, demonstrando total falta de educação. Ela, que tanto pedimos, não começa exclusivamente em casa e tão pouco na escola. Começa dentro de nós, em pequenas atitudes.

Meus filhos cresceram frequentando aquele espaço público. Eles gostavam de jogar pedras e vê-las quicar na água, além de comer pipoca e do clássico chimarrão. Quando acabava a diversão, eles não me perguntavam o que fazer com o pacote, procuravam um lixo. Lembro de uma vez alegarem que não encontravam lixeira. Então coloquem no bolso até acharmos uma, disse. Num primeiro momento houve relutância, em um segundo, consciência.

A orla, como todo parque ou praça que há em qualquer cidade do mundo, inclusive na sua, leitor educado, é pública. Acontece, num erro de interpretação, que muitos entendem não ser de ninguém, já que é de todo mundo. Para desgosto geral da nação, a pequena parcela que emporcalha locais como a orla do rio Guaíba ou a pracinha da sua cidade prefere usar o primeiro conceito: não é de ninguém, ao invés de ater-se ao segundo: é de todo mundo!

Para piorar a situação, sabemos que a maioria deles são jovens que ainda moram com os pais e, tenho certeza, na casa deles não deixam garrafas e sacos esparramados pelo chão, como se fosse um pardieiro. Sei que na juventude costumamos agir com rebeldia e desinteresse pelas regras paternas e governamentais. Mas os jovens de hoje, a chamada geração Z, deveriam ter maior consciência que os milenium ou os antigos, como eu, agora alcunhados de cringe – chamados assim por terem atitudes que causam vergonha aos jovens, aprendi isso com minha filha, ela é expert nestes conceitos e me enquadrou rapidamente.

Aproveito da idade e da outrora carreira de professor para dar aqui não uma aula, mas algumas dicas gratuitas e práticas. Aproveitem que não é sempre que estou disposto para tanto.

Este povaréu larga tudo pelo chão com a desculpa que as lixeiras são poucas e enchem rápido nos finais de semana ou quando há grandes aglomerações – que ainda deveriam ser evitadas, nem todo mundo fez vacinado. Então, façam o seguinte. Quem levou uma ou mais garrafas, certamente o fez em uma sacola. Guarde-a para carregar as embalagens vazias até o seu veículo ou até a primeira lixeira vazia que encontrar. Mas eu comprei de um ambulante, dirá um apressado explicador. Sabendo que irá consumir produtos por lá, leve um saco de casa e deixe depois em um contêiner de lixo no caminho até o seu veículo ou transporte público. Uma atitude desse nível garante os olhares de qualquer pretendente.

Lembram dos japoneses na Copa do Mundo de 2014, que recolhiam todo o lixo antes de deixar o estádio? Estão vendo, não é difícil, basta ter um pouquinho de boa vontade e consciência coletiva.

Não faça como todo mundo, achando que o local público é de ninguém, mas sim, atue como uma pessoa que é dona da orla ou da praça e cuide do que é coletivo. Juntar o lixo que produzimos demonstra nossa educação e evolução, além de não causar mal a ninguém e um bem imenso para todo mundo!