dom, 26 de setembro de 2021

Aplateia Digital - 25/09/21

Última Edição

O ROTEIRO DE CINEMA

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Django Unchained – Django Livre – 2012 – Quentin Tarantino

Existem grandes autores na história do cinema. Uma pesquisa simples sobre indicados e vencedores do Oscar na categoria de melhor Roteiro Original, mostrará a qualidade de grandes escritores do cinema norte-americano. Isso sem falar no nosso cinema nacional, o cinema francês, japonês que contam histórias cativantes. São roteiristas que possuem uma marca. Promovem, através de sua escrita, uma imersão a partir da dinâmica dos seus diálogos, que constroem um subtexto muito interessante. Outros conseguem dramatizar muito bem os seus temas emocionais através de recursos fantasiosos e até surrealistas. Mesmo os roteiros fortes, dramáticos e inteligentes ganham visões diferentes de acordo com os diretores de cada obra. Alguns diretores podem dar um aspecto mais realista e mais naturalista ao roteiro, enquanto outros buscam uma encenação com uma entonação mais contida e uma montagem ágil, acabam articulando uma natureza mais teatral, sendo mais dramático e até caricato. Não há certo e errado. O importante é que a narrativa proposta no roteiro encontre uma visão de direção condizente com seu conteúdo e esteja em equilíbrio com o filme.

Get Out – Corra! – 2017 – Jordan Peele

O roteirista propõe a dramaturgia que entende para contar sua história. Para isso, utiliza elementos como a ordem em que os eventos da narrativa acontecem, o ritmo da história, o modo em que os conflitos progridem ou não, a forma como os diálogos são escritos, e o modo de expressão dos personagens. Tudo isso são escolhas formais necessárias para concretizar a história dramaturgicamente. A função do roteiro é dramatizar a ideia do roteirista. É falar sobre o tema do filme não diretamente, mas sim deixar esse tema implícito na ação e nos acontecimentos da história, no subtexto, no drama em si. Expor uma ideia é simplesmente relatar, como se em um diálogo os personagens dissessem de maneira explícita como se sentem. Expressar é usar de mediadores linguísticos mais sutis para essa finalidade. Uma dramaturgia fraca é uma dramaturgia que não possui subtexto, que usa de maneira óbvia ou preguiçosa os artifícios de linguagem sejam as ações, sejam os diálogos.

Eternal Sunshine of the Spotless Mind – Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças – 2004 – Michel Gondry

Mesmo os filmes mais experimentais ou “filmes de arte” seguem uma progressão que responde a certos elementos narrativos. Alguns filmes foram filmados enquanto eram escritos. Mesmo sem um senso tradicional de começo, meio e fim, é possível perceber uma jornada de progressão da protagonista. Em outros filmes, o roteiro era escrito e entregue para os atores no dia da gravação. Em todos esses casos é apresentada uma experiência completa de progressão que faz com que o filme não soe aleatório. São filmes que se fecham muito bem. Um roteirista não precisa ficar tão preocupado com regras ou fórmulas, mas deve pensar em desenvolver uma dramaturgia que siga um princípio de efeitos, sendo o seu filme tradicional ou experimental. O mais importante é que o filme cause uma experiência emocionante. A lógica pode ficar em segundo plano desde que o impacto seja grande para o espectador.

 

Promising Young Woman – Bela Vingança – 2020 – Emerald Fennell

O mais importante é desenvolver a ideia da história. Definir como começa, como se desenvolve e como termina. O primeiro passo, a premissa, é uma espécie de sinopse do roteiro. É descrever o roteiro em pouquíssimas linhas, definindo o principal conflito. Em seguida, deve-se descrever o que acontece no filme do início ao fim, mas sem desenvolver nenhuma cena. O argumento, como é chamado, é quando você relata toda a história do filme como se fosse um conto. É no argumento que são definidos os eventos do filme. Trata-se da parte mais difícil, pois a estrutura da sua ideia deve estar completa. O passo seguinte é criar a escaleta, onde você traduz o argumento em cenas, mas não as desenvolve. É estruturada a ordem em que as cenas entram, porém sem os diálogos, apenas ações pontuais. A escaleta serve como um esqueleto do roteiro em que as cenas são definidas, mas não desenvolvidas. Então você parte para a formatação que o roteiro possui. A formatação serve para criar um guia para o filme. Basicamente, uma cena tem duas partes: o cabeçalho e a descrição da cena. No cabeçalho você define onde se passa a cena. Na descrição colocamos as ações dos personagens, diálogos, as características do espaço e tudo o que for relevante para a cena. Normalmente os roteiros seguem uma linha semelhante a essa, como descrevi, porém não é uma regra, mas uma proposta de execução. Com o material inteiramente desenvolvido, teremos um roteiro pronto para virar filme.