O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON – A VIDA INVERSA

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Pensar sobre esse filme não é uma tarefa simples. Diferente de uma parcela dos filmes que segue uma estrutura bem definida e você é impactado por essa estrutura para o bem ou para o mal, em O Curioso Caso de Benjamin Button, David Fincher, apresenta algo diferente. Ele, como diretor, fez escolhas muito acertadas quando criou a “aura” deste filme. Contando com um elenco forte composto por Brad Pitt e Cate Blanchett, efeitos visuais poderosos e uma história instigante, baseada no conto de F. Scott Fitzgerald, Fincher equilibrou tudo com a premissa: e se nossa vida fosse vivida ao contrário? Repare que a premissa começa com uma possibilidade, ou até mesmo com um acaso: “E se”. Algo bastante desafiador.  

 

O personagem que dá nome ao filme nasce velho e com o passar do tempo começa a rejuvenescer. Ao longo da história, esse personagem narra suas percepções da vida e é possível para o espectador, enquanto acompanha a narrativa, saber o que o personagem sente. As escolhas que David Fincher faz para criar seu filme manipula, de certa forma, o espectador. Não só por ser uma característica sua, mas porque o filme também trata sobre isso. Algumas pessoas estão tão preocupadas com a aparência que não se dão ao trabalho de conhecer verdadeiramente alguém. Como você reagiria se visse uma criança de 8 anos de idade que aparentasse ter 80? Você reconheceria a criança ali presente, que não conhece as “coisas” do mundo e que, em sua inocência, crê na verdade das pessoas ou você a trataria como um senhor de idade que só está agindo de determinada maneira porque está “velho”? 

 

As aparências enganam, mas não só isso. As aparências podem ser determinantes sobre quem as pessoas realmente são. Alguém que aparenta estar no auge da juventude e que ainda aguarda “o melhor da vida” ou tem “muita vida pela frente” precisa agir de determinada forma? Alguém que tenha experiência de vida de 70 anos, que aparente ter 20 anos, pode ter sua opinião levada em consideração ou você vai pensar que “ele é jovem demais e precisa viver a vida”. David Fincher manipula isso tudo muito bem no decorrer do filme, justamente para fazer com que essas questões não só atinjam o espectador de alguma forma, mas porque fazem parte da história que conta.  

 

Em determinado momento do filme, você já está tão impactado, que sente a emoção da história. Reflete sobre como aquele personagem viveu. Reflete sobre tudo o que ele aprendeu durante a vida e passa a imaginar se isso realmente fosse possível. Se as pessoas fossem rejuvenescendo com o passar do tempo e não o contrário, que escolhas fariam? Que vida seria essa “inversa? Não só inversa naturalmente, mas ao contrário da maneira “esperada” de agir. Então, toda a técnica utilizada pelo diretor, a premissa que converge em uma história poética, a atuação, efeitos e trilha muito bem equilibrados com o conteúdo filme, são capazes de fazer com que de tempo em tempo do filme o espectador faça uma reflexão. E essa reflexão é pessoal e intrínseca de cada um, justamente porque O Curioso Caso de Benjamin Button é impecável em sua proposta, assim recomendo que esse filme seja assistido mais de uma vez para que a experiência possa se renovar e as reflexões possam surgir de forma diferente. 

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