Para o diretor do Salva Saúde, as denúncias sobre a Santa Casa são de cunho político

Em sua primeira entrevista, Jan Christopher Lima da Silva disse que não encontrarão desvios nas investigações feitas pela Polícia Federal na operação “Sem Misericórdia”
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Em um tom tranquilo, como já é conhecido e até usando a frase “quem não deve não teme”, o diretor do Instituto Salva Saúde, Jan Christopher Lima da Silva falou pela primeira vez nesta quinta-feira (24), após a operação da Polícia Federal (PF) denominada Sem Misericórdia, que investiga um desvio de R$ 2 milhões da Santa Casa de Sant’Ana do Livramento deflagrada na quarta (23).

Jan disse ter ficado sabendo da operação pelos órgãos de imprensa e que ainda não teve acesso ao inquérito. Em mais de 15 minutos de entrevista ao programa Jornal da Manhã, da RCC FM, ele destacou que a PF tem que fazer o seu trabalho de investigação com base na denúncia feita pelo Ministério Público. “Em relação ao que foi feito em Sant’Ana do Livramento, de valores e extratos, a gente já tinha aberto o sigilo bancário do instituto, então a gente não tem muito o que fornecer mais, eu não sei o que mais eles estariam coletando de informação ou investigando”.

Diretor do Salva Saúde, Jan Christopher Lima da Silva

EMPRESAS DE FACHADA

Segundo a PF, o Instituto Salva Saúde apresentou notas fiscais e contratos com empresas de fachada que teriam sido forjados com o propósito de sustentar as transferências ocorridas anteriormente sem o adequado lastro contábil. A estimativa é de que mais de R$ 1,5 milhão foram repassados para diversas pessoas físicas investigadas, principalmente para Jan, que efetuou no período de contrato saques em espécie que somaram mais de R$ 500 mil.

Para Jan, as ações não foram nada fora do normal. Ele destacou que o Instituto precisava contratar empresas fornecer insumos para o Hospital. Sobre as empresas de fachada, ele disse desconhecer. “Isso aí eu, realmente, desconheço, porque as contratações foram feitas e todas as empresas contratadas, de fato, prestaram o serviço. O que a gente soube de empresas que foram de fora do Rio Grande do Sul, foram empresas que, de fato, trabalharam fora do hospital, uma delas inclusive, continuou. Uma empresa de equipamentos médicos, e eles fizeram a manutenção e conserto de mais de 60 e tantos equipamentos […]. Não são de fachada, são empresas que existem de fato”.

“DENÚNCIAS DE CUNHO POLÍTICO”

Segundo Jan, os desvios apontados pela Polícia Federal não serão comprovados. “Com certeza não. Eu acho que eles têm que investigar. Eu creio que essa denúncia que partiu do Ministério Público veio de uma denúncia de pessoas ligadas à saúde. Eu entendo muito que esteja para o Ministério público essas denúncias chegaram foram de cunho meramente político. O Ministério Público inicia uma investigação, o que é correto, e a Polícia Federal faz a parte dela”.

PESSOAS ENGANADAS

Foto: Matias Moura/AP

O diretor do Salva Saúde disse não ter arrependimento com relação ao que foi feito na Santa Casa. Ele voltou a afirmar que o projeto que o Instituto tinha para o Hospital é “muito bom”, que envolvia alguns anos de evolução e, por questões alheias à sua vontade, não pôde ser continuado. Questionado sobre as pessoas que eventualmente se disseram enganadas pelo Instituto, Jan afirmou que talvez estejam querendo se preservar de alguma responsabilidade em relação aos desdobramentos que aconteceram. “Mas o que a gente pôde fazer dentro da nossa capacidade a gente conseguiu, que era fazer um serviço que fazia 10 anos que a Santa Casa não fazia e a gente em seis meses teve a capacidade de fazer. Se alguma pessoa fala que se sentiu enganada ao chamar o Instituto, simplesmente eles aceitaram um plano de trabalho que era muito simples e muito claro. Se eles se enganaram foi porque provavelmente eles acreditaram que nós íamos fazer alguma coisa mágica, além do normal ou que a gente ia fazer inúmeras doações, como se ventilou aí. E que a gente só faria se tivesse um trabalho duradouro”.

Confira a entrevista na íntegra abaixo:

 

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