Embaixadores árabes agradecem apoio ao Líbano

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Por: Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – O Brasil foi um dos primeiros países a ajudar o Líbano após a explosão no Porto de Beirute, capital libanesa, no começo do mês de agosto. O decano do Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil e embaixador da Palestina, Ibrahim Alzeben, falou sobre o tema à reportagem da ANBA e agradeceu em nome da diplomacia árabe integrante do conselho pelo apoio e a solidariedade prestados pelo Brasil e pelos que viabilizaram o auxílio, entre eles, a Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

Através do Grupo de Ajuda Humanitária ao Líbano, do qual a Câmara Árabe faz parte, o Brasil arrecadou quase 70 toneladas de doações para envios ao país árabe. O grupo é formado por entidades, organizações, hospitais, igrejas, setor público e diplomacia e teve apoio do governo federal para as suas ações, como o envio de uma remessa inicial de donativos por avião da Força Aérea Brasileira (FAB) no início de agosto. A entrega foi feita no Líbano por uma delegação liderada pelo ex-presidente Michel Temer.

De acordo com Alzeben, o apoio e a solidariedade entre os árabes é uma obrigação patriótica e humanitária. “A posição do Brasil é um ato humano que avaliamos como de alto nível”, afirmou o diplomata. “Quero também, como Conselho dos Embaixadores Árabes, agradecer à Câmara de Comércio Árabe Brasileira, ao seu presidente (Rubens Hannun) e ao secretário-geral (Tamer Mansour), por terem disponibilizado todo o pessoal para trabalhar, colaborar e apoiar o Líbano a tragédia que aconteceu”, declarou.

O embaixador disse que o Conselho dos Embaixadores Árabes do Brasil está comprometido a apoiar os esforços em todos os níveis pela ajuda ao Líbano, incentivou e apoiou a campanha de arrecadações e o pronunciamento de parlamentares brasileiros sobre o assunto. Ele agradeceu a parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado por suas declarações de apoio ao Líbano, e ao Grupo Parlamentar Brasil-Países Árabes pelo apoio na ajuda ao país árabe.

Alzeben ressaltou o papel do governo federal e do presidente Jair Bolsonaro no auxílio ao Líbano. Além de viabilizar parte dos envios dos donativos, o governo federal fez doações ao Líbano, inclusive de uma carga de quatro mil toneladas de arroz, despachada por navio. Bolsonaro participou de solenidade de envio das doações no começo de agosto, em São Paulo. “O que nós podemos oferecer, em grande parte vindo da comunidade libanesa, é de coração”, disse Bolsonaro na oportunidade.

O decano destacou ainda o papel do ex-presidente Michel Temer como líder da missão brasileira de ajuda ao Líbano. “A visita dele deixou um sentimento de gratidão muito grande, tanto no Líbano como em todo o mundo árabe”, afirmou. Alzeben agradeceu ainda o apoio do Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, e do Ministério da Saúde. Em nome do Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil, o embaixador enviou carta à Câmara Árabe agradecendo a atuação da entidade e dos demais envolvidos no auxílio humanitária ao Líbano.

Alzeben lembra que a campanha pela ajuda ao Líbano não terminou e seguirá para auxílio na reconstrução do que foi destruído. “Os estragos causados pela explosão são enormes e exigem um trabalho a longo prazo”, afirmou. Ele acredita que levará mais de um ano até o Líbano conseguir recuperar o Porto de Beirute, que ele chama de “joia do Mediterrâneo”. Alzeben lembrou que o porto é histórico. “Daquela costa libanesa, cananeia, palestina, síria, de toda aquela costa saíram as civilizações dos fenícios por todo Mediterrâneo para levar ciência, conhecimento, inclusive fomentando o comércio”, disse.

Sobre a ajuda brasileira, Alzeben afirma que o povo brasileiro é um povo que sabe agradecer. Ele lembra a contribuição marcante que a comunidade árabe deu para a formação da cultura brasileira. “É uma característica do brasileiro, o brasileiro é solidário, o brasileiro deu apoio a todos os povos que sofreram tragédias e catástrofes e isso é reconhecido desde o começo do século 20 e entrando agora no século 21. A história brasileira solidária é digna de ser respeitada e ressaltada”, concluiu.