Vizinho? Quem?

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Já não é a primeira vez que ouço alguém dizer: ah, eu não conheço nenhum dos meus vizinhos! Como se isso fosse uma qualidade. Morei 16 anos na mesma rua em Porto Alegre (da última vez) e os vizinhos dos quais sei o nome, até hoje, são poucos, porque na cidade grande as pessoas têm a cultura de não falar com estranho. No entanto, eu sempre quis saber quem é quem. Não gosto de viver na casa dos outros, mas o mínimo é saber quem mora ao meu lado. Porém, a hipocrisia da “ política da boa vizinhança” campeia na teoria: humanos devem ser solidários, dar alimentos que estão sobrando na despensa, roupas que enjoamos de usar, etc. Conhecer os vizinhos, não, nem pensar!
Bueno, eu, essa pessoa que sou contra a corrente, porque acho que sim, devo saber o nome dos meus vizinhos e que, no mínimo, um bom dia! Um, oi! Ou chamar a pessoa pelo nome já é revigorante, pelo menos é para mim.
Estou morando em Sant’Ana do Livramento há 5 anos. Nunca fui tão eu mesma, tão feliz. Tenho percalços? Tenho. Consigo me indispor com algumas pessoas? Sim. Mas, faço questão de conhecer, dizer bom dia (aliás, adoro quando passo por alguém que nunca vi na vida e encaro e eles me dizem: bom dia!), gente, eu saio rindo, FELIZ, eu fui notada, eu fui vista, por um segundo, é verdade, mas fui, eu existi naquele momento para alguém que talvez nunca mais vá encontrar. Vinha para casa, outro dia, pensando: o que vou fazer de almoço? Tenho pouco tempo para voltar a trabalhar. Meu vizinho me gritou e disse: vem aqui! Eu fiquei surpresa, já que tinha pressa. Ele e a esposa me alcançaram um pedaço de pastelão de forno. Lindo! Delicioso! Pronto! Lá se foi minha preocupação do almoço.
Lembro de uma ocasião, andando na praça XV, em Poa, para pegar um ônibus. De dia. Sol alto. Passou por mim um moço, e olhem que não era feio. Olhou-me e naquela fração de segundo eu pensei: será que eu conheço? Afinal, eu trabalhava nos Correios, na Agência Central, quantas pessoas passavam pelo meu guichê! Só que o belo moço avançou no meu pescoço onde eu tinha várias correntinhas de ouro. E me arranhou o pescoço tentando arrancá-las. Na hora, eu ouvi um som, estranho, longe, era eu gritando – pelo choque. Eu fiquei parada, e NINGUÉM, absolutamente, NINGUÉM veio me perguntar, naquele momento: Ei, o que houve? Estás bem? NINGUÉM. Era como se eu não existisse. A coisa mais banal do mundo. Acho que aqui a situação seria diferente. Ou não? Quero acreditar que sim, com todas as forças do meu ser.

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