Dez anos após parto em viatura, PM reencontra menina em Livramento

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Ação solidária para distribuição de alimentos possibilitou o encontro

Um reencontro foi motivado por uma série de coincidências em Santana do Livramento, fronteira oeste do RS, graças a uma ação contra os impactos da pandemia de Covid-19. Quase dez anos depois, um soldado da Brigada Militar que ajudou no parto de uma bebê em plena viatura se deparou com a menina enquanto levava cestas básicas a famílias carentes da cidade. Uma das casas escolhidas foi justamente onde a pequena Vitória mora. E o policial Rogério Tavares nem iria participar das entregas.

Era uma manhã fria em julho de 2010 quando Rogério Tavares e um colega socorreram Maria de Lurdes em casa, no bairro Prado, prestes a dar à luz. No caminho para o hospital a cabeça de Vitória apareceu quando ainda estavam na viatura. O parto foi realizado dentro do veículo, com sucesso.

Os policiais visitaram mãe e filha na Santa Casa do município, última vez que Rogério as viu. “Durante esse tempo todo, eu passava naquela região, conhecida como Vila Santa Rosa, mas nunca mais entrei em contato”, lembra o brigadiano. A área pobre de Livramento, é desenhada por ruas de chão batido e casebres modestos que sempre confundiam Rogério quando transitava nos arredores. “Será que eu a reconheceria? Não sabia como ela era fisicamente”, pensava.

O isolamento social recomendado por causa da pandemia acarretou a redução da renda de muitas famílias na cidade, como aconteceu no restante do planeta. Por isso, o Comando Regional de Polícia Ostensiva da Fronteira Oeste (CRPO FO) desenvolveu uma iniciativa de arrecadação e distribuição de cestas básicas a pessoas com mais vulnerabilidade.

Algumas famílias foram escolhidas para as cerca de 30 cestas que seriam entregues. “Eu cumpro funções mais administrativas na unidade, vou menos à rua. Acabei indo porque um colega não poderia”, lembra Rogério. O policial seguiu na viatura em direção às casas listadas. Mal sabia o que estava por vir.

Quando chegou à Travessa A da rua Jauri Medeiros, uma imagem se reconstruiu na mente de Rogério. “Essa é a rua”, suspirou, antes de explicar aos colegas da viatura do que se tratava. Não demorou muito para avistar uma garota em frente à casa onde descarregaria uma das cestas. “É aquela a menina”, apontou. “Mas como tu sabes?”, alguém perguntou. “Não sei. Só sei que ela é a menina do parto que eu fiz”. Tão logo a mãe de Vitória apareceu para recebê-los, veio a confirmação.

Segundo Maria de Lurdes, a pequena, agora com 9 anos, sabe de toda a história. “Tanto que ela sempre diz que ser brigadiana por causa da forma como nasceu”, contou a mãe. A futura policial desatou a chorar.

Segundo a soldado Beatriz Liguiçamann, presente ao reencontro, Rogério também se emocionou. “Não tinha como ele saber, tanto que saímos em três viaturas diferentes. Chegamos justamente na casa da Vitória. Foi muito legal. Ele estava de máscara e acabaram se abraçando”, conta.

O brigadiano brincou com a menina. “Teu primeiro colo fui eu quem deu”, sorriu, lembrando que partos em viaturas são corriqueiras em viaturas de corporações policiais mundo afora. “Mas comigo foi único, acho que não acontece mais. Deus premia algumas pessoas e ocorreu comigo”.
Os policiais foram embora da rua Jauri Medeiros com uma sensação dupla de dever cumprida após ação solidária. De vitória. E de Vitória.

Foto: Arquivo pessoal / Correio do Povo
Fonte: Correio do Povo – Christian Bueller