Paciente curado do Coronavírus, em Livramento, conta como foram os dias de quarentena

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Preocupação com a família e reflexão sobre a vida fizeram parte da rotina de recuperação

O primeiro caso de Coronavírus (COVID-19) registrado no Brasil foi no dia 26 de fevereiro. No Rio Grande do Sul, a doença foi notificada pela primeira vez no dia 10 de março. Já em Sant’Ana do Livramento, o primeiro caso foi confirmado no dia 19. Até o momento, a cidade já conta com cinco casos confirmados, sendo que, dois deles, já tiveram alta.
Um desses casos é o de um homem de 55 anos que, após uma viagem ao Rio de Janeiro e São Paulo, testou positivo para COVID-19. O paciente aceitou conversar por telefone com a Reportagem do jornal A Plateia e, por consideração, não terá a sua identidade revelada.

O começo

A entrevista começou com o relato de como foi o diagnóstico da doença e a aparição dos sintomas. “Num primeiro momento o que vem é a tosse. A minha felicidade era que como eu estava em férias eu não saí, fiquei em casa, não saí (durante) todo o dia. Dormi até um pouco mais tarde e fiquei em casa. Liguei a TV e acabei dormindo. Quando acordei já medi a temperatura e vi que estava com febre e fiz contato com a vigilância (epidemiológica)”, comenta.
No primeiro dia, a febre chegou aos 38,9°C e, após o contato com as autoridades do município, o caso foi classificado como suspeito. As orientações foram para que o homem controlasse a temperatura e permanecesse em isolamento.
Após o teste dar positivo, como ainda não existe um tratamento para o vírus, a saída foi combater os sintomas. “Tinha febre e tosse, no outro dia tive febre pela manhã de mais de 38 (graus), tomei Dipirona e depois no terceiro dia tinha só um pouco de tosse e acabou”, revela.
Com os sintomas controlados nos primeiros três dias, de um total de 14 sugeridos pelas autoridades médicas, a atenção voltou-se para a pressão arterial do paciente, que também é hipertenso. “A minha preocupação é porque eu faço parte do grupo de risco. Aí todos os dias tinha que estar cuidando da saturação, mas graças a Deus ela se manteve estável”, afirma.

Em casa

Testando positivo para COVID-19, a rotina na casa onde o paciente vive com a família precisou alterada. “A orientação é a que todo mundo conhece: ficar em casa isolado, para não transmitir. Eu fiquei 16 dias, dois a mais do que o recomendado. Isolamento total”, diz.
Em função do isolamento, a rotina da família também foi alterada. “Quando eu ia para a sala eu ia de máscara. Era quarto e sala. O banheiro, eu usei um banheiro exclusivamente pra mim. Minha roupa eu jogava direto na máquina de lavar. Sem contato, sem abraço, sem pegar na mão nem nada”, lamenta.
Utensílios como pratos, talheres e copos passaram a ganhar uma atenção especial, além de serem lavados com água e sabão, também eram escaldados com água quente. As compras do supermercado também eram higienizadas com álcool, bem como os demais itens de uso comum.

A vida após o Coronavírus

De acordo com o paciente, após o anúncio da cura da doença, a sua perspectiva de vida mudou. “(Nesse momento) tu vê quem são teus amigos. […] Tu fica mais sensível. Nessas horas tu vê quem é quem”, afirma.
Para o futuro, o homem projeta: “Eu estou numa situação de um pai que está longe dos filhos. Tu fica naquela vontade de abraçar e não pode, mesmo sabendo que eles estão bem. Mas, sabe que os próximos abraços serão bem mais fortes. É um crescimento interno. O pós-corona, é um crescimento interno”.

Murilo Alves
muriloalves@jornalaplateia.com

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