Eis a questão – Jurema Luz – 28/03/2020

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Quarentena ou reclusão

Outro dia falando com meu ex-marido, (pelo WathsApp, é claro), ele me perguntou como eu estava administrando toda essa situação caótica porque ele sabe que eu sou uma pessoa extremamente independente e, de repente, eu ter que ficar presa dentro de casa, obrigada a me ajustar ao momento seria algo digno de ver. E o pior, sou muito comunicativa, adoro falar, tocar nas pessoas, rir e ficar dias e dias sozinha dentro de um apartamento, bem, não preciso dizer mais nada… Minha dificuldade de adaptação está sendo muito difícil. Claro, como disse a minha filha – acho que a intenção dela era de me consolar – “tu não és a única”.
Daí eu disse a ele que estava em casa, trabalhando pela internet e ele me perguntou se eu estava de quarentena ou de reclusão. Na rapidez do momento eu disse: reclusão. Depois comecei a pensar o porquê de ter respondido assim e, é claro, busquei lá nos recônditos do meu cérebro a resposta e me dei conta que era que assim que eu estava me sentido: reclusa.
Agora, pensando bem, entendi que sempre foi assim. Sempre somos reféns de algo ou alguém, ou de um passado, ou de uma esperança, ou de um algo mais. Só que de todas essas coisas que mencionei, todas são administráveis, inerentes à vida humana, vêm e vão com maior ou menor intensidade, no pior dos momentos, como bons gaúchos que somos nos valemos do ditado “não tá morto quem peleia”, menos quando somos reféns de algo tão letal como essa arma poderosa chamada VÍRUS. Esta droga, esta porcaria, tão pequena, tão minúscula que afetou (e continua a afetar) o planeta inteiro, que está destruindo a economia mundial, ceifando vidas e sonhos.
Muitos vídeos e orações circulam pela internet. Alguns inteligentes e sensíveis, outros nem tanto, como alguns em que gritam com os “véio” de forma desrespeitosa e debochada para eles irem para casa. Que eles (os velhos) estão errados, estão, não é isso que estamos discutindo aqui, mas, a abordagem precisa ser dessa forma? Onde foi parar o “devemos respeitar os velhos”? Alguns responderão que em algumas circunstâncias atitudes drásticas são necessárias. Mas, já não está beirando à histeria? Já não estão ultrapassando a linha do bom-senso?
Recebi uma mensagem, mais parecida com uma oração que diz assim: ”[..] a Cidade Luz mergulhada nas trevas, a Cidade Eterna parece condenada a encontrar seu fim. […] o Planeta Terra … aproveita a ausência do homem e se cura. Os rios estão ficando cristalinos. O ar mais puro … A Terra amada não será mais a mesma. […] Bem-aventurados os que entenderem e aproveitarem este momento, pois quando tudo isso passar, serão bem-vindos a um planeta regenerado”.
Magníficas palavras, plenas de esperança e fé, no entanto, sob o ponto de vista da minha humilde pessoa, são palavras um tanto quanto utópicas porque é ver para crer quanto tempo demorará para voltar tudo como era d’antes no quartel de Abrantes.
Mas, não há de ser nada, todos nós temos algo de fênix, somos fortes, vamos ressurgir das cinzas. Vai doer, vai demorar, mas vamos nos reerguer.