O sopro do Pampa que abastece o Brasil

Como você pode perceber, a energia eólica rende bastante, portanto, optei por dividir a coluna em duas partes. A primeira, publicada na semana passada, falava sobre o funcionamento dos aerogeradores, dos parques eólicos e também explicava como era o processo de geração de energia. Para a segunda parte, esta que você confere a seguir, ficaram reservados os processos de distribuição da energia gerada e também da manutenção dos equipamentos.

TEMOS ENERGIA, E AGORA?

Uma estimativa aponta que, cada aerogerador instalado pode gerar energia suficiente para abastecer cerca de 4 mil habitantes. Como informado na parte um desta coluna, o Complexo Cerro Chato, que é um empreendimento da CGT Eletrosul, gera muito mais energia do que Sant’Ana do Livramento consome, portanto, o excedente passa a integrar o Sistema Interligado Nacional (SIN). Constituído pelos subsistemas Sul, Sudeste/ Centro-Oeste, Nordeste e também pelo Norte, este sistema é um conglomerado de toda a energia gerada no Brasil, seja eólica, hidráulica ou termelétrica. Apenas 1,7% da eletricidade produzida no país está fora do SIN, isso porque este montante fica em redes isoladas localizadas em áreas remotas, como em algumas partes da região amazônica. A forma mais simples de entender essa rede é imaginar uma grande nuvem. Todas as usinas do Brasil enviam energia para o sistema, ao passo que essa energia é retransmitida para todas as regiões para que nenhuma parte do país fique desabastecida. Por isso, o fato de haver uma usina produzindo em Livramento, não significa que toda a energia gerada aqui fique exclusivamente na cidade. A transferência dessa energia ocorre de acordo com a demanda de cada localidade através da grande malha de subestações e linhas de transmissão espalhadas por todo o Brasil.

IMPACTO AMBIENTAL

Com certeza você já ouviu falar que, junto com a energia solar, a geração de energia eólica é uma das
mais limpas e ecologicamente corretas do mercado. O que não quer dizer que ela não gere nenhum resíduo tóxico. Isso porque os aerogeradores, como já aprendemos juntos, possuem diversas partes móveis que, por óbvio, precisam de lubrificação. Portanto, embora não possua um motor a combustão, para o funcionamento adequado, é necessária a utilização de óleos lubrificantes. Esses fluídos possuem uma vida útil, se em um motor de um carro, por exemplo, são trocados de acordo com a quilometragem, nos aerogeradores, a substituição acontece por horas de uso. Essas horas variam de acordo com o tempo de serviço dos equipamentos. Assim que instalado, um aerogerador trabalha entre 300 e 500 horas até a primeira inspeção. Estando tudo dentro do esperado,
a próxima etapa de intervenções fica programada para ocorrer a partir das próximas 2.000 até 4.000 horas. É importante lembrar que até este estágio são realizadas apenas avaliações visuais, exceto em casos que a manutenção faça-se necessária. Passadas as 4000 mil horas de operações a manutenção é realizada de forma completa, incluindo, além da lubrificação de partes, a substituição de componentes de desgaste, como rolamentos e engrenagens. O resultado de todas essas manutenções é uma grande quantidade de resíduos que são coletados e encaminhados para o descarte adequado pela CGT Eletrosul ou, em algumas vezes, também é coletado por empresas terceirizadas.

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