Casal perde bebê e aponta Santa Casa como culpada por demora em transferência

Josiane e seu esposo Elizandro conversaram com a reportagem do Jornal A Plateia sobre o caso. “É muito triste, porque o nosso bebê era muito esperado” disse a mãe.

Segurando nas mãos um caderno azul com o nome Arthur 2020, Josiane Ruidias Dias, 33 anos, tentava entender junto com o marido Elizandro Meggiato de Soares, 39 anos, os motivos que a levaram perder seu bebê, nascido prematuro de 7 meses em um hospital de Alegrete, depois de ser transferido via judicial da Santa Casa de Livramento. A mãe, ainda muito revoltada com a situação, aponta a negligência e demora na transferência. Já a Santa Casa de Livramento diz que realizou todos os procedimentos regularmente e cumpriu todos os protocolos.

Segundo nota enviada pela Santa Casa de Misericórdia para a reportagem do Jornal A Plateia, a paciente Josiane, com 27 semanas de gestação, foi cadastrada na Central de Leitos do Estado no dia que entrou naquele hospital em 2/2/20 e foi transferida dia 7/2/20 para UTI neonatal de Alegrete. Ainda segunda a nota, durante o tempo em que ela fiquei internada em Livramento foi dado todo o suporte médico necessário até a transferência. Enquanto os dois lados apresentam suas versões, fica a saudade e as dúvidas de como seria a vida do pequeno Arthur que já estava com seu quarto montado e uma imensidão de sonhos para serem vividos com seus pais que o esperavam ansiosamente.

Josiane conta que durante a internação na Santa Casa realmente foi assistida por equipe médica com a presença de um pediatra. Segundo ela, embora tenha acontecido o atendimento, as injeções que lhe foram aplicadas é que teriam mais tarde contribuído para a morte de Arthur, em Alegrete. “Quando internei estava com muitas dores, aí o médico disse que iria me aplicar quatro injeções pois eu estava com um problema no útero e era para eu ficar tranquila que tudo o que o bebê necessitava seria passado para ele pelo cordão umbilical. Deveriam ser 4 injeções, e acabaram fazendo 8. Isso que eu avisei a moça que eram só 4. Depois comecei a luta pela transferência, pois a Santa Casa não tinha UTI neonatal e tinham só 4 vagas para os outros municípios, mas já estavam preenchidas. Como as minhas dores foram aumentando, nós tivemos que buscar via judicial. O meu esposo foi até o gabinete do vereador Melado e acionou a Justiça e nós conseguimos a transferência. Chegamos em Alegrete na sexta-feira, o Arthur nasceu, mas veio a falecer no domingo. Lá, o médico nos disse que com as injeções os pulmões dele aumentaram de tamanho e acabaram comprimindo o coraçãozinho dele” contou a mãe.

MATIAS MOURA/AP

Ainda segundo o casal, a transferência foi realizada porque Livramento não possui UTI neonatal e também pelo fato dela estar sentindo muitas contrações. “Ela estava com muita dor, já estava tendo contrações. E o médico disse que ele (o bebê) não poderia nascer na Santa Casa pois o hospital não possui neonatal. E, neste caso era preciso ter um leito especial para mim e para o bebê. A central de leitos indica Alegrete, Bagé, São Gabriel e Santa Maria, mas, diariamente são feitos dezenas de pedidos e quando abre uma vaga a pessoa é transferida. Como ela estava com dores, eu fui até o Ministério Público, através de um amigo, e nós conseguirmos fazer a transferência para Alegrete. A gente chegou lá e já foi feita a cesariana nela, o Arthur nasceu tudo bem, isso foi no dia 7 de fevereiro, data do nascimento, e dois dias depois, no domingo 9 de fevereiro, ele acabou falecendo” disse Elizandro.

Segundo foi repassado a nossa reportagem pelo casal, no atestado de óbito está escrito que foi por infecção e por choque séptico, septicemia e prematuridade extrema.
Segundo Josiane, a família está muito abalada com toda a situação e irá buscar os meios legais para apurar os responsáveis para que outras mães não precisem passar por essa situação novamente.

Matias Moura

matiasmoura@jornalaplateia.com

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