No olhar de quem fica

Nesta semana, a reação do cachorro Scooby ao ver o corpo de Rogério Lemos, 31 anos que foi assassinado na quarta-feira (12), acabou viralizando na internet

Era mais uma cena de crime, no chão a vítima coberta por uma lona preta, ao redor uma fita preta e amarela isolava o local e apontava que ali estava um corpo. Das varandas das casas olhares curiosos tentavam entender o que estavam acontecendo, nas esquinas não se falava outra coisa. Aos poucos uma multidão se formou próxima à parada de ônibus da rua Dr. Hector Acosta onde Rogério Lemos de 31 anos acabou sendo assassinado. Mas, um fato acabou chamando muita atenção, e acabou viralizando nas redes sociais: a reação do cachorro Scooby, companheiro de Rogério, que além de tentar salvar o amigo durante o ataque do assassinado, conforme imagens de circuito de segurança, ficou ao lado do corpo durante o trabalho dos profissionais da perícia naquela manhã triste de 12 de fevereiro. A Reportagem do Jornal A Plateia acompanhou o trabalho e acabou registrando em fotos a reação do animal que carregava uma profunda tristeza em seu olhar. As cenas foram compartilhadas por milhares de pessoas e veículos de comunicação do estado e do país, as imagens repercutiram gerando grande comoção.Uma das fotos mostra o cão sentado ao lado do corpo enquanto os profissionais do Instituto Geral de Pericias realizavam o trabalho de criminalística. Em contato com o fotógrafo criminal Luciano Netto Costa, que aparece na imagem ao lado de Scooby, ele disse que situações envolvendo animais em cenas de crimes são comuns e geralmente dificultam muito o trabalho da perícia que precisa mexer no corpo e verificar o local. “Quando nós chegamos no local e fui conversar com a polícia sobre a identidade da pessoa, eles falaram que não conseguiram mexer no corpo porque o cachorro havia rosnado para eles, achei que seria um trabalho bem difícil de realizar. Neste caso envolvendo animais, geralmente cachorros o procedimento é chamar os bombeiros para fazerem a remoção. Mas percebi que havia próximo ao corpo uma sacola com um pouco de pão. Consegui pegar e me afastei e comecei a chamar a atenção dele, depois de algum tempo veio e começou a comer na minha mão.

Nisso, meu colega já estava trabalhando no corpo. O que mais me chamou a atenção foi o olhar de tristeza dele, foi algo bem impactante. Aos poucos ele foi se acalmando e nós conseguimos fazer o trabalho”, relembrou. O perito disse que após a repercussão nas redes sociais recebeu dezenas de mensagens de amigos e famílias comentando a situação e que diferente do que já presenciou em outros casos onde os animais não deixaram as equipes trabalharam, o cão Scooby parecia ter colaborado com os profissionais. “Nunca tinha visto uma coisas dessas. Geralmente os animais ficam bravos, mas ele foi diferente. Muitas pessoas depois que viram a foto perguntaram se eu tinha levado o cão para casa (risos). Respondi que não. Mas uma coisa tenho certeza dessa ocorrência que jamais foi esquecer: fica na memória o olhar dele” disse o profissional. A Reportagem do Jornal A Plateia conversou também por telefone com Débora, irmã da vítima que disse que a família está profundamente triste com o acontecido e não quer se pronunciar mais sobre o caso. “Nós estamos muito tristes com o que aconteceu com meu irmão. Não conseguimos entender porque foram fazer isso com ele. Minha mãe não quer mais falar sobre este assunto, tem sido muito difícil para ela. Sobre o cachorro que andava com ele, nós estamos em contato com o amigo do meu irmão, que na verdade é o dono dele. Depois, desde que meu irmão morreu o cachorro está profundamente abatido, não quer comer e nem sair do lugar. Mas o dono está levando comida para ele e cuidando desta questão. Quando o cachorro decidir sair do local onde está o dono vai seguir cuidando dele” disse. Segundo, Débora, o cachorro era sempre visto ao lado de Rogério por onde quer que ele fosse. Esse cachorro era muito amigo do meu irmão. Então vamos cuidar muito bem dele” encerrou.

Fotos: Matias Moura

Grupo Aplateia