Abigeato “É preciso união para combater essas organizações criminosas que estão agindo no campo” diz delegado titular da Decrab/Bagé).

Durante reunião realizada no sindicato Rural de Sant’ana do Livramento na manhã desta segunda-feira (27) vários assuntos foram abordagens referente a problemática do abigeato e dos crimes rurais. Deste vez estiveram participando a Brigada Militar, Polícia Civil, produtores rurais, FARSUL, Policia uruguaia e Associação Rural de Livramento.

Um dos participantes do encontro foi o delegado André de Matos Mendes, da Delegacia de Polícia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais de Bagé (Decrab/Bagé), que aproveitou a oportunidade para compartilhar informações relevantes sobre o trabalho realizado nos últimos dois anos pela força tarefa da Polícia Cívil.

Atualmente o Rio Grande do Sul possui 4 delegacias especializadas em crimes rurais, sendo um dos estados modelo neste tipo de trabalho. O abigeato é um crime frequente no RS, com ocorrências próximas a 6 mil por ano. Estimativas indicam que apenas 19 municípios concentram 50% dos casos de abigeato registrados no Rio Grande do Sul. O ápice do problema foi registrado em 2016, quando mais de 9 mil casos foram reportados. Na época, foi criada força-tarefa para conter a ação das quadrilhas que atuavam em roubo de gado e de bens, e o número de ocorrência, desde então, vem caindo cerca de 30% ao ano. Foram mais de 40 quadrilhas desarticuladas desde então.

Delegado André Mendes Decrab/Bagé

Durante a fala do delegado André na reunião, ficou claro que a maneira mais eficaz de combater essas organizações criminosas é a união de todos os setores que são lesionados por este tipo de crime.” Nós precisamos trazer para a mesa de discussão várias entidades e vários órgãos para trocar ideias e experiências. Conversar sobre aquilo que deu certo e o que não deu. E partir daí traçar as estratégias para ação propriamente dita, que graças a Deus vem nos rendendo dados positivos” destacou.

Conforme o delegado a ação das 4 delegacias especializadas contribuiu para a diminuição dos índices de crimes rurais de 2016 para cá, quando foi o marco inicial da atuação da força tarefa, passando em 2018 para a instalação efetiva das delegacias com sede própria. “Então de 2016 para cá nós reduzimos os índices de abigeato no Rio Grande do Sul em 48% e isso significa mais de 5 mil ocorrências que foram evitadas por força da investigação. E claro se a gente analisar o estado de 2016 para cá, uma das únicas providencias marcantes que a Polícia Civil adotou foi a criação de uma força tarefa de investigação aos crimes rurais. “Essa ação permitiu por exemplo que essas quadrilhas fossem investigadas a fundo e que a polícia enxergasse o problema de uma forma mais complexa e pudesse dar a solução através dessas investigações qualificadas”.

Crime organizado invade o campo

Segundo o delegado André Mendes as investigações da Decrab/Bagé, apontam que os grupos criminosos estão cada vez mais organizados e audaciosos onde muitas quadrilhas migraram as suas ações também para o campo.” Essas quadrilhas as vezes estão ligadas até grupo criminosos como facções que tem atuação no Rio Grande do Sul, principalmente no tráfico de drogas, mas identificaram no campo as facilidades que ele oferece que na maioria dos casos são locais distantes , como pouca comunicação e difícil acesso. Eles aproveitam essas características para cometerem as suas ações criminosas. Então frente esses fatos, o estado acabou também se organizando para dispor mecanismo de defesa porque a gente sabe que não é fácil para as delegacias locais fazerem este tipo de trabalho porque a criminalidade está cada vez mais complexas nas cidades. Então ter um grupo especializado que possa alcançar essas cidades e fazer uma investigação com foco específico no abigeato com certeza alcança um resultado bem mais significativo e assim oferecer ao produtor rural um pouco mais de paz e segurança para que ele possa trabalhar”

Integração com países vizinhos

O delegado salienta ainda que em um estado como o Rio Grande do Sul é fundamental, o trabalho de integração com as policias uruguaios e argentinas, quando o assunto são crimes rurais. “Nós somos pioneiros neste tipo de delegacia em nosso país. Então nós precisamos reunir todas as faces do problema. Aqui em Livramento por exemplo nós falamos de mais de 200 km de fronteira seca com o uruguai e a gente não tem como trabalhar sem ser de forma integrada com a polícia uruguaia. E estendendo essa questão de fronteira temos também a polícia argentina com quem já fizemos diversas parcerias. Porque a gente sabe que existe vários crimes que começam num lado da fronteira e terminam no outro. Então poder ter essa conversa e troca de informações elas ajudam a gente a poder trabalhar e identificar esses grupos que as vezes são de uma cidade de atacam a outra. Neste sentido nós estamos no caminho certo, na semana passado por exemplo tivermos uma importante apreensão de bois furtados no Uruguai que foram encontrados no Brasil e a prisão dos criminosos só foi possível pela ação da polícia uruguaia” destacou em entrevista.

Após quase duas horas de reunião, ficou acordado que o próximo passo daqui para a frente será uma reunião a nível de estado com o secretário de segurança do RS, delegado Ranolfo Vieira Junior e também uma agenda em Brasília para tratar desta problemática na região. Não está descartada a busca pela instalação de Delegacia de Polícia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais de Bagé (Decrab).

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