dom, 11 de abril de 2021

Jornal A Plateia Digital - 03.04.2021

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Estiagem pode elevar preço de carnes no RS

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A indústria gaúcha de carnes vem demandando nos últimos anos em torno de 6,5 milhões de toneladas do grão, volume que, mesmo em safras sem incidência de problemas, não é totalmente suprido pela oferta no Estado. Em média, as empresas gaúchas costumam buscar 1,5 milhão de toneladas em outros Estados, como Paraná e Mato Grosso, e até mesmo do Exterior, em países como Argentina e Paraguai. Neste ano, com os revezes nas lavouras, o volume deverá aumentar.

— Ainda é precoce dizer o quanto devemos buscar fora do Estado. Precisamos saber o tamanho da quebra, mas estamos em estado de alerta. Devemos iniciar alguns movimentos de importações e também para sensibilizar o governo federal a agir para evitar disparada de preço da saca, caso se confirme quebra expressiva — afirma José Eduardo dos Santos, diretor-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).

Um dos pedidos que o setor avícola deve apresentar ao Ministério da Agricultura é a realização de leilões de estoques da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Maior demanda

No Rio Grande do Sul, a avicultura é a atividade que mais demanda milho, cerca de 2,9 milhões de toneladas anuais. O produto responde por quase 70% da alimentação dos animais. A Agrosul Alimentos, de São Sebastião do Caí, demanda 120 mil toneladas por ano. Assim como outras empresas do setor, busca em torno de 30% do produto fora do Estado. Em 2020, esse volume poderá chegar a até 40% do total.

— Se a quebra for considerável, a solução é trazer mais milho de fora do RS, e isso aumenta o gasto com frete. Esse custo acaba sendo repassado no preço do produto — diz Nestor Freiberger, presidente da Agrosul e da Asgav.

Se a quebra for considerável, a solução é trazer mais milho de fora do RS, e isso aumenta o gasto com frete. Esse custo acaba sendo repassado no preço do produto.

NESTOR FREIBERGER

Presidente da Agrosul e da Asgav

Na suinocultura, que demanda 2,4 milhões de toneladas, a situação é parecida. O diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Produtores de Suínos do Estado (Sips-RS), Rogério Kerber, lembra que o setor vive momento de alta na demanda, puxada principalmente pelos negócios com a China. Se confirmando o reforço na busca por milho fora do Estado, o dirigente reconhece que é inevitável o repasse do custo extra ao valor final do produto:

— Ter de adquirir milho de fora do RS não é uma novidade, mas é evidente que a situação que ocorre agora traz tensão e poderá exigir um esforço maior da cadeia produtiva para se planejar principalmente para o segundo semestre do ano.

A produção de carne bovina no Estado também pode ter os custos pressionados, mas em menor proporção frente à avicultura e à suinocultura. A situação acende sinal de alerta no setor, ainda que o uso do milho na alimentação do gado seja restrito a poucas fazendas no Rio Grande do Sul. A maior parte do rebanho gaúcho é criada a pasto.

— Para quem utiliza o milho, caso de sistemas de confinamento, é bastante preocupante, pois tende a forçar os custos de produção em um momento que a carne bovina vem penando na questão de preços (para o consumidor). Já tivemos alta bastante forte no preço do boi gordo recentemente e isso vem se refletindo no consumo — destaca Ronei Lauxen, presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs).

Preço da saca em elevação

Os primeiros levantamentos da quebra da safra gaúcha de milho indicam perdas significativas em diferentes locais. Segundo a Emater-RS, até 14 de janeiro, as perdas nas lavouras alcançavam 32% na região de Ijuí, 9% em Pelotas, 30% em Porto Alegre, 35% em Caxias do Sul, 29% em Lajeado, 25% em Soledade, 45% em Santa Maria e 5% em Bagé.

Redução da oferta do grão nesta safra tende a aumentar custo de produção dos frigoríficos no Estado

Os estragos registrados nas lavouras de milho no Rio Grande do Sul ao longo das últimas semanas podem acabar se refletindo nos preços das carnes nas gôndolas do varejo. Como o grão é um ingrediente indispensável na dieta dos animais, principalmente aves e suínos, sua menor disponibilidade tende a aumentar os custos. Desta maneira, dirigentes do setor de proteína animal já admitem a possibilidade de reajustes serem repassados ao consumidor.

Como a oferta do grão será menor nesta safra, o preço pago pela saca vem subindo e se torna outro fator de pressão de custos. A Emater aponta que na semana de 9 de janeiro deste ano a saca de 60 quilos custava, em média, R$ 39,12 no Estado. Há um ano, saía por R$ 33,92, em valor nominal. O analista da Scot Consultoria Rafael Ribeiro aponta que a maior possibilidade é de que os preços sigam subindo.

— Não enxergamos cenário de queda de preços. A tendência é de que o preço da saca se valorize de 10% a 20%, dependendo do cenário (de quebra) — projeta.

O especialista lembra que a alta ocorre em diferentes Estados. As causas são a forte demanda, com recorde de 45 milhões de toneladas exportadas em 2019, e os problemas climáticos.

Fonte: Gaúcha/ZH

Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

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