Mesmo fora da validade, remédios irregulares foram comprados pela antiga gestão da Santa Casa

Para Mari Machado, mais ações do governo Ico deveriam ser investigadas pelo MP

Na manhã desta segunda-feira, dia 13, a prefeita Mari Machado (PSB) participou do programa Jornal da Manhã, na RCC FM (95.3). A prefeita iniciou a sua participação ouvindo o apelo de um grupo de mães que contavam com a colônia de férias das escolas de educação infantil do município. Frente a isso, Mari convidou as mães para uma reunião em seu gabinete.

Dando sequência à entrevista, a prefeita abriu a sua fala apresentando a atual situação do município. Mari enfatizou que as contas da prefeitura estão no vermelho, fruto de diversos erros de gestão em diferentes setores fundamentais como saúde e educação.

De acordo com a atual gestora de Sant’Ana do Livramento, o déficit financeiro da cidade está em R$ 40 milhões. “Só com fornecedores temos R$ 2 milhões em dívidas’’. Além desta área, Mari também ampliou: “Combustível, merenda escolar, através da agricultura familiar, que tinha prazo para receber até o final do ano passado, mas não deu. Na área da saúde também, exames e no transporte escolar que chega a R$ 380 mil’’.

Outro ponto que preocupa a prefeita é a situação da Santa Casa de Misericórdia. “Temos uma despesa enorme na Santa Casa. Não recebemos os recursos depositados nas contas do (Instituto) Salva Saúde. Esse depósito foi autorizado pelo ex-prefeito afastado no fundo criado e o dinheiro não apareceu’’.

Ainda sobre a saúde, Mari citou a dívida do Sistema de Previdência Municipal (SISPREM), que beirando os R$ 200 milhões, foi financiada, porém, já conta com duas parcelas em atraso. “Se chegar na terceira a situação complica, porque aí será preciso fazer o refinanciamento e passar na Câmara’’.

Mesmo com todas essas dificuldades, a prefeita reiterou o compromisso com a folha salarial. “A situação financeira do município não é confortável, mas a prioridade é a folha de pagamento’’. Sem os R$ 22 milhões, depositados no fundo operado pelo Salva Saúde, a situação se agrava ainda mais pelo aumento na dívida histórica de Livramento que, de acordo com a prefeita, está em torno de R$ 200 milhões. “Esta é a situação do município. Lamentável que esta transparência não tenha sido oferecida para a comunidade’’.

OSTRACISMO FORÇADO

Na reta final do programa, a prefeita enfatizou o seu distanciamento durante o governo de Ico Charopen (PDT). “É bom que fique claro que não fui eu quem afastou o prefeito. Me deixem trabalhar. Não me deixaram trabalhar por dois anos’’.

Ainda sobre as investigações que afastaram o prefeito Ico e mais oito membros de seu governo, Mari afirma não ter tido envolvimento nenhum com as irregularidades apontadas pelo Ministério Público. “Eu acho que tem gente que foi afastada e que gostaria muito disso. Mas isso não corresponde à verdade. Se fosse o caso, eu já estaria sendo investigada e eu não estou’’. E completou: “Isso não me envolve em nada com as irregularidades que eles cometeram. Eu não tenho nada a ver com a contratação dessa OSCIP, não sabia da contratação da OSCIP’’.

A gestora explicou que seu afastamento teve um objetivo e que uma das razões foi por ela não compactuar com irregularidades.

MAIS FALHAS

Após assumir a prefeitura de Sant’Ana do Livramento, Mari conta que, além das irregularidades expostas pelo MP, mais outras suspeitas surgem através da leitura de contratos que ainda não haviam sido aprovados. Sobre isso, Mari revela a existência de um contrato, que agora aguarda um parecer técnico e jurídico, para contratar serviços de pintura e outras reformas no prédio do executivo no valor de R$ 475 mil.

A prefeita diz ter ficado surpresa com o valor e para efeito comparativo confidenciou: “Em uma conversa informal com o meu filho, que é gerente da Tigre em Joinville, ele me contou que ele pintou toda a fábrica com R$ 110 mil’’. Mari diz não saber quando esse serviço seria realizado, mas que faltava apenas a assinatura do procurador do município para que fosse autorizado. Questionada quanto à validade do referido contrato, a prefeita foi enfática: “É claro que eu não vou fazer’’.

Ainda dentro da pauta das irregularidades, a prefeita diz ter encontrado um contrato com um advogado para a defesa do gabinete de Ico no valor de R$ 60 mil reais, dos quais R$ 40 mil já teriam sido pagos. “Quem defende o chefe do executivo é a procuradoria, mas existiu esse contrato e foi dispensado um valor nele, já foi pago’’.

Quanto a situação do contrato, Mari afirma já ter notificado o advogado, que havia sido contratado para defender o gabinete do prefeito e que o valor empregado será reavido, pois trata-se de dinheiro público. “Eu estou olhando todos os contratos. Tudo o que foi contratado com dispensa de licitação. Pente fino’’, disparou.

COMPRA DE MEDICAMENTOS VENCIDOS

Dentre a lista de irregularidades do governo Ico revelada por Mari Machado nesta manhã, uma das mais alarmantes compete à saúde.

Antes do final do programa, a gestora comentou sobre a compra de medicamentos vencidos por parte do Instituto Salva Saúde durante o tempo em que ficou responsável pela administração da Santa Casa. “Foram R$ 120 mil reais de medicamentos, sendo que R$ 27 mil foi gasto com medicamentos vencidos e R$ 80 mil mais ou menos, foi gasto com medicamentos que são da rede básica, que não tem utilidade dentro da Santa Casa’’.

Quanto ao destino e a utilização desses medicamentos Mari disse que acredita que não tenham sido utilizados e que ainda, mas devem ser descartados.

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