Marina Rodriguez: bajeense solidifica carreira no UFC

A cada vez que a bajeense Marina Alcalde Rodriguez, 32 anos, sobe ao octógono, mais um passo dá em sua bela carreira no MMA. Pelo UFC Uruguai, em Montevidéu, no sábado à noite, ela venceu, por unanimidade, a estadunidense Tecia Torres, que está entre as oito melhores do ranking da categoria peso-palha. Com o resultado, a lutadora obteve sua segunda vitória na organização e permanece invicta no MMA, com um invejável cartel de 12 vitórias e um empate majoritário. Aém da visibilidade internacional, a atleta, que é oriunda do muay thai, tem grande chances de subir posições no ranking da categoria. No mínimo, entre as 15 melhores do mundo. Inclusive, há possibilidade de enfrentar, no próximo combate, uma atleta que esteja entre a quinta e a décima posição.

Domínio nos três rounds

A construção da vitória foi indiscutível. Tanto que, no resultado final, todos os juízes apontaram para Marina como vencedora, que esteve a frente, no número de pontos, nos três rounds disputados (30 a 27, 30 a 27 e 30 a 26 foram as notas dos juízes). Durante os 15 minutos, Marina mostrou-se mais segura, controlando a trocação e se defendendo bem das quedas que, aliás, era a especialidade da adversária. Num determinado momento, Marina, que tem como preferência o combate de pé, até tentou implantar um jogo de queda.
Ciente que tinha uma boa vantagem, no último round, Marina tratou de pressionar Tecia, a fim de consolidar, de vez, sua segunda vitória no UFC. Para isso, colocou a estadunidense contra a grade do octógono. Nos momentos em que Tecia tentava reagir, na luta de pé, a bajeense tinha êxito em manter distância e impor o seu jogo.
Cabe ressaltar que no Media Day, dia em que a organização do UFC dedica para gravar vídeos e entrevistas com os atletas que integrarão o card do evento da semana, Marina falou que se considerava uma “zebra”, por estar frente a frente com a oitava melhor do mundo da categoria peso-palha. Contudo, não deixou de reconhecer às fortes expectativas que o UFC tem perante ela. Inclusive, quando foi selecionada para a organização, no reality show Contender Series Brasil, após vencer sua luta, o próprio diretor do UFC, Dana White, fez questão de cumprimentá-la pessoalmente e parabenizá-la pelo desempenho no combate.

Alegria de estar perto de casa

Em entrevista à reportagem do jornal MINUANO, Marina demonstrou a felicidade de ter dominado os três rounds, ainda mais por se tratar de uma adversária experiente, que estava entre as oito melhores da categoria. Ainda por cima, comemorou o fato de ter participado de uma edição perto de sua cidade de origem e por ter contato com torcida. “Foi a primeira vez que o UFC veio para Montevidéu e participar disso é muito gratificante. Estar num país próximo da minha cidade de origem e ver a quantidade de mensagem de gente que me apoia foi muito bom. Fiquei muito feliz em saber que teve pessoas que se dedicaram e gastaram para vir a Montevidéu, exclusivamente para a minha luta. Agradeço a toda galera de Bagé, do Rio Grande do Sul e de Florianópolis, cidade onde vivo e treino. Há muita gente me acompanhando e torcendo pela minha caminhada no UFC, que ainda será muito longa. Temos muito trabalho pela frente”, declara.

A luta por patrocinadores

Entretanto, as belas vitórias são resultado de um amplo esforço fora de octógono. São pouquíssimos os atletas que ganham altas fortunas. Os demais precisam correr atrás de patrocínios. Questionada sobre a rotina após ter ingressado no UFC, há cerca de um ano, Marina afirma que, em termos de treinamento, o trabalho triplicou. Mas, no aspecto financeiro, pouca coisa mudou.
Hoje, Marina se mantém com a remuneração que é concedida pelo UFC a cada luta. Ela também recebe apoio com serviços. No entanto, embora toda a visibilidade do UFC, ela ainda não conseguiu patrocinadores que invistam mensalmente em sua carreira. “A remuneração de cada luta é boa, dá para suprir minhas necessidades. Porém, se ficar muitos meses sem lutar, já complica. Há várias pessoas que me ajudam com disponibilidade de serviços e produtos. Disso, não posso reclamar. Porém, patrocinadores mensais, algo que é fundamental para um atleta profissional, ainda não tenho. Sinceramente, até fico assustada, pois estou no maior evento do mundo e ainda não consegui encontrar um meio para obter. Mas estamos em busca”, enfatiza.

O histórico

Radicada em Florianópolis e representante da equipe Thai Brasil, sob o comando de Márcio Malko, a bajeense assinou contrato com o UFC em agosto de 2018, após ter nocauteado Maria de Oliveira, durante o Contender Series, reality show organizado por Dana White, cujo objetivo era captar novos atletas. A sua estreia foi no UFC São Paulo, em setembro, quando obteve um empate majoritário diante da iraquiana-canadense Randa Markos.
Já o segundo combate ocorreu em março de 2019, quando Marina obteve sua primeira vitória, no UFC Philadelphia, sobre a mexicana Jessica Aguilar. A luta teve uma ampla repercussão internacional, visto que Marina terminou com a mão direita quebrada e uma lesão no braço esquerdo. Já Jéssica teve o nariz fraturado. Entretanto, horas depois, Marina postou uma foto, em suas redes sociais, de um encontro amigável entre ambas.
Já recuperada, a bajeense partiu, no final de semana, em busca de sua segunda vitória no UFC. Com o resultado positivo, melhorou seu cartel no MMA, agora com 13 lutas – 12 vitórias e um empate. Para temos de comparação, sua adversária no sábado, contabiliza 15 lutas – 10 vitórias e cinco derrotas.

Fonte Jornal Minuano

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