OPINIÃO | Governo Leite: seis meses de muitos erros e poucos acertos

Eduardo Leite gerou muitas expectativas ao se eleger governador. Após quatro anos, Sartori havia arrasado o estado. Desorganizou quase todas as políticas que foram formuladas durante o governo Tarso, que tinham propiciado ao Rio Grande do Sul ter um plano de desenvolvimento e crescer mais do que o Brasil, gerar empregos, aumentar a receita e praticar uma política salarial de ganhos reais para professores e brigadianos. Leite não era o Sartori e sugeria uma forma diferente de governar. Parecia uma esperança.

Passados seis meses, já desfiz minhas expectativas. Acho que como eu, muitos gaúchos já entenderam que rapidamente o governador Leite, ao contrário do que se esperava, assumiu a mesma agenda de Sartori, que era baseada na ideia (equivocada) de aderir ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) do governo federal. Este plano submete o Estado a um severo programa de corte de gastos e venda de ativos com o objetivo de recuperar suas finanças. Na verdade, o resultado será um aumento exponencial da dívida do Estado (algo em torno de R$ 30 bilhões) e um ciclo depressivo, que diminuirá, ao invés de aumentar, a circulação de riquezas, além de empobrecer nosso estado com a venda de nossos ativos estratégicos, as empresas públicas de energia.

O famoso cientista Albert Einstein disse uma vez que “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Baseado nesta simples assertiva do físico, é possível concluir, a partir da experiência de Sartori, qual o resultado, infelizmente, nos espera no futuro caso Leite consiga executar seus planos, que, aliás, não foram ditos na campanha, embora ele insista em negar.

Preso à ideologia, Leite não percebe que o caminho que devemos trilhar é outro, de recuperação das melhores experiências e práticas de governo no RS, recuperando a política industrial da época do bajeense Alceu Collares, os programas de incentivo à agricultura familiar da época de Olívio e a ousada política de qualificação dos serviços públicos de Tarso Genro. Não à toa, foram os governos em que o Rio Grande mais cresceu e se desenvolveu.

Mas, como disse, preso à ideologia, Leite não percebe que é preciso formular e praticar o que se chama de uma política de desenvolvimento, que permita aos empreendedores privados enxergarem no Estado um parceiro que apoia e dá suporte financeiro e de infraestrutura para os investimentos. Ao contrário, Leite não dá qualquer atenção para isso. Até agora, nenhum projeto, nem mesmo uma ideia foi apresentada à sociedade gaúcha sobre o tema. O próprio secretário da pasta do desenvolvimento demorou 90 dias para ser nomeado. O resultado tem sido perda de postos de trabalho e fechamento de empresas. E nem isso sensibiliza o governador.

Submisso à política implantada por Bolsonaro e Paulo Guedes, deixou, inclusive, de brigar por aquilo que é de direito do Rio Grande, como as compensações pelas perdas da Lei Kandir. Já falamos sobre isso e todos os gaúchos já sabem que a dívida do governo federal com o RS é a mesma quantia que ele diz que devemos. Quer dizer, com coragem, unidade e força, o Rio Grande do Sul estaria sem qualquer dívida com a União, porque faria um encontro de contas justo.

Mas Leite não quer conversar sobre esses assuntos. Disse que dialogaria para governar, mas logo que assumiu enviou para o parlamento o fim do plebiscito para a venda das empresas públicas. Nem mesmo a promessa do diálogo preservou nesses seis meses iniciais. O mais contraditório é que o governador extinguiu a exigência do plebiscito dizendo que o povo não entenderia a complexidade das negociações para a privatização. Agora, repete esse argumento, dizendo que nem mesmo os deputados conseguiram entender o processo. Quer um cheque em branco para vender as empresas e fazer o que quiser com os recursos, que serão poucos, mas são de todo o povo gaúcho.

Por fim, Leite repete o mesmo que Sartori em relação aos servidores, responsabilizando-os pela penúria financeira do Estado. Quando se sabe que mais de 45% dos funcionários da administração direta recebem até R$ 3 mil, é difícil acreditar nesta narrativa, que pune quem deveria ser valorizado para que o Estado pudesse oferecer o melhor serviço possível para os gaúchos. Porque se não for para prestar um bom serviço, para que mesmo é que serve o Estado? Leite não pode dizer, mas o que quer mesmo é enfraquecer o estado para que a dinâmica do mercado possa, então, governar o próprio Estado.

Por isso, somos oposição.

Líder da bancada do PT na ALRS

Grupo Aplateia