Filme gaúcho retrata memória dos trilhos e decadência das ferrovias

Filme gaúcho retrata memória dos trilhos e decadência das ferrovias No interior do vagão, ex-comandante de trem Evaristo dá luz às suas memórias LANÇA FILMES/DIVULGAÇÃO/JC

Estreio na quinta-feira (20) no Estado (nas cidades de Porto Alegre e Santa Maria), com distribuição da Lança Filmes, uma bela produção gaúcha dirigida por Alvaro de Carvalho Neto – sua primeira autoria em longa. Como produtor, ele tem no currículo produções independentes, além de séries para a Rede Globo e para o canal Multishow.

Depois do fim é um sensível documentário que contrapõe o período áureo das ferrovias com a atual situação de decomposição da malha brasileira, aludindo ao fim de uma trajetória. Chegando perto da finitude de sua própria vida, aos 90 anos, o ex-comandante de trem Evaristo conduz a narrativa do filme, por paisagens  deslumbrantes e cenários desoladores.

Ele afirma que “dá uma dor no coração” ver como a estrutura se encontra hoje, recordando de como era no período em que trabalhava, posicionando-se exatamente entre o apogeu estético e econômico e a decadência física e social. O caminho dos trilhos e o som e a imagem do vapor embalam as memórias do antigo ferroviário. Apoiando-se em sua bengala, ele vai percorrendo estações e vagões abandonados e um patrimônio entregando-se à ferrugem e ao esquecimento.

A vegetação que cresce ao redor das ruínas do que sobrou funciona como uma massa de apagamento para a melancolia de quem vivenciou outra época. Assista o trailer A estreia nacional de Depois do fim será em 27 de junho. A première internacional está prevista para o segundo semestre, na Alemanha.

A direção de fotografia é de Pedro Rocha; montagem foi realizada por Alfredo Barros; e a música é assinada por Leo Henkin – todos profissionais premiados em suas áreas. O road movie viaja por Pelotas, Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, Muçum, Marcelino Ramos, São Pedro do Sul, Santana do Livramento e Uruguaiana, mostrando as fronteiras com Uruguai, Argentina, Santa Catarina e Oceano Atlântico.

Pelos olhos da equipe, os espectadores também podem visitar as maiores estruturas ferroviárias da América Latina: a ponte do Entrocamento, sobre o rio Santa Maria, a ponte ferroviária metálica mais longa, com 1,5 km em Cacequi; e o segundo viaduto mais alto do mundo, o Viaduto 13, com 150 metros de altura e 509 metros de extensão, em Vespasiano Corrêa. A obra é um grande convite à preservação de nossa história, trazendo memória material e imaterial do meio de transporte mais importante do Brasil do início século XX.

O documentário apresenta imagens de arquivo de filmagens em estações e áudios recuperados das entrevistas de pesquisa. Com financiamento do Pró-Cultura/RS – Lei estadual de Incentivo à Cultura, a produção teve patrocínio da Eny Calçados e da CEEE. O filme antigo reproduzido traz a inauguração da Catedral, o embarque na estação de Santa Maria e a partida do trem. Segundo o pesquisador de cinema Glênio Póvoas, são as imagens em movimento mais antigas preservadas no Rio Grande do Sul.

Cerimônia e Festa na Igreja de Santa Maria – Estação data de 1909 e foi realizado por Eduardo Hirtz – realizador e exibidor que dá nome à sala recém-restaurada da Cinemateca Paulo Amorim da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736), onde Depois do fim entrou em cartaz na Capital, com sessões diárias, às 19h. – Jornal do Comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/cultura/2019/06/689858-filme-gaucho-retrata-memoria-dos-trilhos-e-decadencia-das-ferrovias.html)

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