Pesquisa agropecuária no Rio Grande do Sul completa cem anos

Carlos Gayer, pioneiro da pesquisa em trigo no Brasil, no centro de pesquisa de Veranópolis em 1930 – Foto: Acervo/Seapdr

Local: Alfredo Chaves, atualmente Veranópolis. A data: 30 de maio de 1919. A Estação de Seleção de Sementes era criada pelo Departamento de Agricultura do Governo Federal. Foi a primeira ação oficial de pesquisa agropecuária no Rio Grande do Sul, cujo centenário é comemorado nesta quinta-feira. A vocação agrícola do Estado se beneficiou com esse século de estudos dedicados ao setor produtivo. Para marcar a ocasião, a Câmara de Vereadores de Veranópolis promoveu uma sessão solene na segunda-feira (27/5). “É de suma importância que o Estado celebre este século de pesquisa, que em muito contribuiu para o desenvolvimento de nossa agropecuária”, afirma o secretário Covatti Filho.

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Equipe de trabalho do centro de pesquisa de Veranópolis em 1948 – Foto: Acervo/Seapdr

Atualmente batizada de Centro de Pesquisa Carlos Gayer, a fundação da Estação de Alfredo Chaves teve o objetivo de desenvolver um trabalho de seleção de populações locais de trigo. Foi o primeiro registro de pesquisa com este cereal no Brasil, dando origem às linhagens Alfredo Chaves, passo inicial para a realização dos primeiros cruzamentos de trigo efetuados no país.

Na década seguinte, o governo federal criou outras unidades de pesquisa no Rio Grande do Sul em áreas doadas pelo Estado. Em 1929, as estações experimentais foram transferidas para o governo estadual, que criou novas unidades, numa expansão que continuou até as décadas de 1960 e 1970.

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Escritório do centro de pesquisa em Osório, em 1926 – Foto: Acervo/Seapdr

Durante esses anos, as unidades ficaram sob a coordenação de quatro institutos de pesquisa vinculados ao Departamento de Pesquisa da Secretaria da Agricultura: Instituto de Pesquisas Agronômicas (Ipagro), Instituto de Pesquisas Zootécnicas (IPZ), Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF) e Instituto de Pesquisas de Recursos Naturais Renováveis (IPRNR).

A partir da fusão dos Departamentos de Pesquisa e de Pesca, em 1994, surgiu a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), unificando a pesquisa agropecuária pública no Estado. Em 2017, com sua extinção, a fundação foi novamente absorvida pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, dando origem ao Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA), responsável por 133 projetos de pesquisa e 50 experimentos a campo, em 14 centros espalhados pelo Estado.

Contribuições para o setor produtivo

Ao longo dos anos, as pesquisas do Estado contribuíram para o crescimento econômico do Rio Grande do Sul, com a geração de tecnologias que promoveram grandes avanços no setor agropecuário. Desde a década de 1990, o Estado já registrou 41 cultivares de azevém, cebola, citrange, feijão, tangerina, mandioca, milho, soja, sorgo e trigo.

Outra contribuição, em meados dos anos 1970, foi o estudo que avaliou o efeito de inoculação da soja com bactérias fixadoras do nitrogênio atmosférico, em comparação ao uso de adubos nitrogenados sintéticos. Devido ao pioneirismo, o Laboratório de Microbiologia Agrícola do DDPA é referência nacional na área de inoculantes, sendo o único laboratório no Brasil credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para realizar análises dos produtos biológicos de uso agronômico atualmente comercializados no país.

O Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, em Eldorado do Sul, trabalha com a pesquisa e o diagnóstico de diversos males que podem afetar as cadeias produtivas de carne do Rio Grande do Sul, atuando conjuntamente com os programas de sanidade animal conduzidos pela Secretaria de Agricultura.

Centros de pesquisa

Porto Alegre – Agrometeorologia; cultura de tecidos vegetais; entomologia; fitopatologia; microbiologia; química agrícola; substratos de plantas; tecnologia de sementes.

Caxias do Sul – Olericultura; fruticultura; capacitação em agroindústria.

Eldorado do Sul – Sanidade animal.

Encruzilhada do Sul – Caprino e ovinocultura integrados com olivicultura e/ou silvipastoril.

Hulha Negra – Conservação do bioma Pampa por meio da integração de ações de minimização da fragmentação de habitats e identificação do potencial biológico.

Júlio de Castilhos – Melhoramento genético de soja; ensaios em rede de genótipos de feijão, soja, sorgo e trigo; manejo de espécies de cobertura de solo de verão e de inverno; manejo da água em sistemas agrícolas.

Maquiné – Melhoramento genético do feijão; consórcios e sistemas agroflorestais; frutíferas nativas (juçara e goiabeira serrana).

Santa Maria – Sistemas agroflorestais e silvipastoris; produção de sementes e mudas de espécies nativas; controle biológico de pragas em florestas; microbiologia.

São Borja – Produção vegetal e melhoramento genético de trigo e soja.

São Gabriel – Melhoramento genético de plantas forrageiras; nutrição de ruminantes; recuperação e restauração de campos naturais; manejo de pastagens.

Taquari – Conservação e uso de recursos genéticos vegetais; citricultura; manejo de pragas; agroprocessamento.

Vacaria – Melhoramento genético de trigo e milho; ensaios em rede de soja, sorgo e feijão.

Veranópolis – Fruticultura de clima temperado (pêssego, ameixa, kiwi, marmelo, oliveira, citros, figo, caqui, pera, mirtilo, castanhas portuguesas, framboesa e figo da Índia); ensaios em rede de sorgo, milho e feijão.

Viamão – Piscicultura; cultivos protegidos; fruticultura; olivicultura; agroenergia.

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