Do véu à pilcha: casamento coletivo em cemitério é marcado pela diversidade

Desde o início, o evento foi marcado pela diversidade: entre os 20 noivos, havia umbandistas, evangélicos, católicos e até mesmo agnósticos. Os figurinos foram dos tradicionais vestidos com véus longos à pilcha tradicionalmente gaúcha, passando ainda por farda de soldado.

 Nos discursos, o cerimonialista religioso fez jus: usou rigor militar ao chamar o jovem noivo-soldado, alertou que “o patrão velho do céu vai olhar pela querência” do casal gauchesco, desejou “saravá e axé” para o casal de religião de origem africana e destacou a coragem do casal formado por Francine e Nicole.

— Meu alicerce é o sentimento de amor, e só isso. Deus tem tantos apelidos, que eu nem sei qual ele prefere. Essa cerimônia abrigou todos eles – avaliou Cláudio Junior, antes de abençoar os 10 casais.

Foi no momento do “sim” que as histórias de cada um foi contada rapidamente ao público. Havia funcionários do grupo Cortel, ex-empregados da corporação, gente que soube do evento pelas redes sociais e quem soube que faria parte da cerimônia dias antes.

— Fui funcionária da Cortel por oito anos e, no ano passado, casamos e não fizemos celebração. Não tínhamos foto de casamento. Eu convidei, e ela me respondeu “por que não?”. Na semana passada, confirmaram que a gente participaria, tanto que nem conseguimos trazer todos os convidados que queríamos. Mas estamos superfaceiras, está tudo tão lindo – reluzia Francine, uma das noivas mais empolgadas.

Às margens da RS-040, o cemitério está localizado em um parque de 15 hectares, com um bosque de árvores nativas e um amplo espaço aberto — com cara de casa de eventos, mesmo. A bênção ocorreu sob uma figueira centenária, com vista para o lago.  Fotógrafos, decoradores e toda a estrutura foram oferecidos sem custo aos casais.

— A ideia é trazer para o cemitério eventos que celebram a vida — resumiu Renata Flores, diretora de operações da empresa.

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