Do aumento da tarifa à licitação: os desafios do transporte coletivo

Considerado caríssimo pelo secretário de Planejamento, serviço de qualidade foi uma das promessas de campanha do prefeito Ico Charopen

Desde o dia 24 de novembro de 2018, quando foi aprovada a nova tarifa do transporte coletivo de Sant’Ana do Livramento, os usuários aguardam as melhorias anunciadas pelo secretário de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana da época, Ricardo Dutra. Sílvia Pereira, por exemplo questiona a qualidade dos ônibus. “Ainda não vi, a única diferença mesmo é o valor. Os ônibus continuam os mesmos que eram utilizados antes da alteração da tarifa, para a linha Wilson e Caixa D’água, que eu utilizo, não houve alterações”, disse.
Para Carmen Zenair, as mudanças aconteceram, mas foram para pior. “Não vi nenhuma diferença, pelo contrário, os ônibus passam quebrando, estava em deslocamento e o ônibus simplesmente parou, visivelmente estão mais sucateados. Não vejo nenhum veículo novo em minha rota”, contou.
A estudante Samara Carvalho faz um questionamento sobre outra demanda, a acessibilidade. “Não vi nenhuma diferença de grande expressão, única diferença que notei que houve uma troca entre as linhas Wilson e Faculdade. Trocaram o veículo mais novo e com entrada para cadeirante para a linha Wilson. E se um cadeirante necessita utilizar o ônibus ele tem que esperar cerca de uma hora. Muitas vezes, o ônibus vem lotado e acaba gerando desconforto pelo calor excessivo e também com aquela sensação de estarmos em uma lata de sardinhas”, relatou.

Trânsito

Nesta semana tomou posse o novo secretário da Pasta,AlencastroFeippe Martins,por ser recém-nomeado, disse não estar a par da situação para realizar qualquer posicionamento sobre o assunto.
Antes de sua exoneração da titularidade da secretaria, o secretário Ricardo Dutra disse que acha justo o valor, visto as condições do transporte na cidade. “Considero um valor justo, comparando também os valores de outros municípios. Nós passamos dois anos com subas sucessivas no valor do combustível, outro ponto que culminou foi o longo período sem reajustes das tarifas. Período este de quase três anos. Temos uma série de custos diretos, não estava mais sendo possível manter a frota”, argumentou Dutra.

Em planejamento

Outro tema também levantado pela reportagem é uma promessa de campanha do prefeito Ico Charopen (PDT), a licitação do transporte coletivo de Livramento. O tema já está tramitando na Secretaria de Planejamento.“Hoje nós temos uma concessão de serviço público regular, uma legislação dos anos 90, que concede a três empresas o serviço de exploração do transporte coletivo público. São praticamente 30 anos de exploração de um serviço que ainda não foi regularizado pelo Município”, explicou o secretário Miguel Pereira.
O titular da pasta lembrou que, no ano de 2004, o prefeito Guilherme Bassedas, assinou com o Ministério Público a organização de um termo de ajustamento de conduta (Tac), que permitiria que a Prefeitura,gradualmente, fosse se enquadrando de nessa sistemática. “Ao final do governo Wainer Machado, existiu um edital de licitação para o transporte coletivo e o procedimento esbarrou quando se colocou no edital uma cláusula que previa indenização para as empresas exploradoras do serviço, porque as empresas precisariam disponibilizar uma frota de veículos muito grande, isso tem um custo inicial muito grande que é obtido através do pagamento de passagem de ônibus”, acrescentou Miguel.

Licitação 

Segundo o secretário de Planejamento, a secretaria vem fazendo estudos para poder viabilizar a licitação, porém ainda dependerá de muito trabalho interno e capacitações, visando saber o orçamento necessário e as formas que serão organizadas as linhas em um novo modelo. Mesmo assim, Miguel Pereira destacou que até o fim do mês de setembro, os estudos serão finalizados para iniciar a licitação.

Valor da passagem na visão de Pereira

Assim como o secretário Ricardo Dutra, Miguel foi questionado sobre o valor da passagem. Na visão do titular do Planejamento, quando o contribuinte fala que paga R$ 3,00 por uma linha de 6 km, ele tem razão e “é excessivamente caro”. “A tarifa em Sant’Ana do Livramento é caríssima e, às vezes, a explicação sempre vem furada, dizendo que o motivo da tarifa cara é muito simples, nós temos muitas gratuidades no município. Existem leis que amparam os idosos, os portadores de necessidades especiais, empregadas domésticas e estudantes. Quando a gente fez o cálculo e a tarifa estava em torno de R$2,00, nós evidenciamos que cada usuário pagante de linha de ônibus tinha que bancar o custo de R$7,00, então quando alguém tem gratuidade, o transporte não é ‘gratuito’, ele tem um custo de transporte e esse custo fica dividido entre os outros usuários pagantes”, explicou.

Carmen Zenair destaca experiências negativas com o transporte

Samara Carvalho
Secretário de Planejamento, Miguel Pereira
Sílvia Pereira questiona qualidade

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