“Tirem o cavalinho da chuva porque eu sou difícil de quebrar”, diz Mari

Vice-prefeita afirma que não renunciará e diz que tudo o que o prefeito está passando foi uma escolha política dele

Com tantas derrotas sofridas durante a semana e, principalmente, a pressão da Comissão Parlamentar de Inquérito o Governo precisou recuar em alguns pontos sobre o processo seletivo da Secretaria de Educação. Entre as manifestações da semana esteve a da vice-prefeita Mari Machado (PSB).
Mari está afastada do Governo desde o ano passado e criticou a forma que foi conduzido o processo pelo Município. “Eu acho que uma das coisas mais surpreendentes é o fato das pessoas não terem acesso a uma lista classificatória, que é o básico. É muito subjetivo deixar nas mãos de uma avaliação psicológica, por isso as provas escritas e de títulos é tão importante”, disse.

CPI e impeachment

Segundo ela, a CPI traz desconforto ao Executivo. “A cidade vive um momento muito delicado, nenhuma Administração fica confortável passando por uma comissão Parlamentar de Inquérito. Quem não deve, não teme. O governo tem segurança que não houve irregularidade, que não houve pressão, ameaças, escolhas, então eu creio que vai ter tranquilidade para encarar esse processo”, afirmou. “Tem uma coisa que é bem determinante em uma CPI que é a credibilidade do Governo, quando a tua palavra passa confiança para as pessoas. Por isso o processo de impeachment também acaba sendo um processo político. Na medida em que for apurado que aconteceu algo, é obvio que a credibilidade vai ser perdida. Eles (os vereadores) precisam estar fortalecidos na confiança junto ao seu Governo para desconsiderar um processo de impeachment”, explicou a vice-prefeita fazendo referência ao processo que sofreu a ex-presidente Dilma Rousseff, em 2014.

Relembrando

Em uma entrevista recheada de lembranças, Mari Machado disse que em nenhum momento, durante todo o tempo que está no Executivo, fez qualquer coisa para que o Governo errasse. “Pelo contrário, sempre fiz a minha parte como vice-prefeita. Eu não faço conluios, eu não faço esquemas, não participo desse tipo de coisa. Não faria isso nessa altura da minha vida. Nunca fiz nada para que esse governo cometesse qualquer tipo de irregularidades e erros. Tenho muita tranquilidade para saber que não contribui para que isso acontecesse. O que o prefeito está vivendo hoje foi uma escolha política do prefeito, um caminho que ele escolheu seguir com os parceiros que ele escolheu para estarem ao seu lado”, apontou.
“Lamento que a cidade tenha chegado nesse ponto, porque eu acho que a gente perde tempo com a quantidade de coisas que tem para fazer. Livramento tem muita coisa para fazer, não é uma cidade que ande sozinha, precisa da ação do poder público, na Educação, na Saúde e na Infraestrutura”, concluiu Mari.

Humilhação 

Mari contou que tem passado por momentos bastante complicados. Ela lembrou sobre a Semana da Mulher e disse que vem sofrendo muito enquanto vice-prefeita e mulher. “Eu não estou me vitimando nessa situação. Tenho tomado algumas atitudes legais para garantir o meu direito. Não serei conivente com aquilo que está acontecendo na cidade. Eu não faço parte desse projeto que está sendo desenvolvido na cidade. O projeto que elegeu o Ico e a mim está no programa de governo e foi registrado oficialmente no cartório eleitoral e representava o meu partido e a mim. Nós não integramos mais esse Governo e lamento profundamente o caminho que o Governo está tomando”, disse.
“Nós estamos na Semana da Mulher e o que nós queremos dos homens é respeito, pela nossa formação, nossa capacidade, pela nossa caminhada e por sermos mulheres. Se a política estivesse, há tanto tempo bem, comandada por homens, até não tínhamos o que questionar, mas não está. Desde sempre são os homens que estão à frente na política. É necessário que a mulher venha para a política para que se mude”, criticou.

A vice assume?

Questionada sobre as viagens de Ico, nas quais ela não tem assumido o cargo de prefeita em exercício Mari falou em desrespeito. “É desrespeitoso com o Município, para isso se elege prefeito, vice e o presidente da Câmara. Fico extremamente preocupada com isso, acho que tem que ser resolvido nos próximos dias”, afirmou.

Sem renúncia 

Mari foi perguntada também se pensava em renunciar ao cargo: “Não. De forma nenhuma. Não penso e não farei. Eu tenho certeza que nesse último ano tudo o que foi feito, foi nesse intuito. Vamos cansá-la até que ela desista. Eu não tenho essa ideia de desistir do mandato que foi a comunidade de Sant’Ana do Livramento que me deu. Aviso aos navegantes: que tirem o cavalinho da chuva, porque eu sou difícil de quebrar. Eu sou mulher, eu sinto essa humilhação e constrangimento a que estou sendo submetida porque sou um ser humano, mas eu sou forte e tenho clareza dos meus objetivos e onde eu quero chegar. Se for esse o objetivo, cansar a vice-prefeita para que ela desista, não vão conseguir”, finalizou.

A vice-prefeita Mari Machado deixou o seu recado através da rádio RCC FM (Foto: Matias Moura/AP)

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