Vigilância afirma “A nossa cidade está bem infestada. A situação é crítica”

Em 2018 durante todo o ano foram registrados 649 focos do mosquito Aedes aegypti no município. No ano passado Livramento registrou uma morte por chikungunya

Ele chegou para ficar. Segundo dados da Vigilância Epidemiológica e Sanitária, Santana do Livramento está praticamente infestada pelo mosquito Aedes aegypti. A presença do inseto já foi registrada em praticamente todos os bairros do município. A combinação, calor extremo, chuva, e descaço da população tem contribuído para a proliferação deste temido mosquito que é responsável pela transmissão de doenças graves como o Zika vírus, os 4 tipos de dengue, febre amarela e a chikungunya.

Segundo a chefe da vigilância do município, Carmen Motta, é preciso a colaboração de todas as pessoas para o combate a este inseto. Onde houver água parada, há um grande risco deste lugar se tornar um criadouro das larvas deste inseto.” A situação aqui é bastante grave. A nossa cidade está bastante infestada. No ano passado foram 649 focos confirmados após exames laboratoriais. Neste ano, nós encaminhamos várias amostras e até agora já foram confirmados 89 focos. São contabilizadas as larvas que são coletadas e encaminhadas para o laboratório. Então a gente está com a cidade bastante infestada, não é apenas aqueles poucos bairros de antes. Muitas pessoas estão ligando para a vigilância dizendo que notaram a presença do mosquito rajado em suas casas. E o que eu posso dizer para elas é que a cidade está infestada”.
Segundo Carmen é necessário que cada pessoa faça a sua parte, pois a vigilância conta com apenas 28 agentes de combate a endemias para cobrir toda a cidade. Segundo ela o ciclo do mosquito é muito rápido entre 10 a 15 dias após as larvas serem postadas ele já está voando. ‘Ele dura mais ou menos 30 dias e neste período pode colocar ovos em vários locais. As pessoas precisaram ter esse cuidado, sempre depois de uma chuva ir lá no pátio revisar. Evitar de deixar água parada em potes, ralos, plantas, pneus e outros objetos. Que cada um cuide de seu espaço porque assim quem sabe a gente possa controlar esse vetor. As larvas não são encontradas só no pátio, mas também dentro de casa em ralos, caixas de inspeção, e vasos sanitários que não são utilizados. Nossa orientação é que as pessoas coloquem água sanitária nestes locais e revisem pelo mesmo uma vez por semana”.

Dois casos de Dengue no RS já foram registrados este ano

Em Livramento os primeiros casos de aparecimento do mosquito Aedes aegypti começaram no ano de 2013 e nos anos seguintes foi aumentando gradativamente, mas a partir de 2015 foi quando praticamente todos os municípios começaram a registrar a sua presença. Atualmente o Rio Grande do Sul 320 cidades gaúchas estão em situação de infestação segundo dados do Centro Estadual de Vigilância em Saúde. No dia 1º de Fevereiro o CEVS registrou a ocorrência do segundo caso de dengue contraída dentro do Rio Grande do Sul, chamada autóctone. Trata-se de um habitante de Cândido Godói, no Noroeste do estado, região onde já havia sido confirmado outro caso na última semana, no município de Panambi. “Segundo o CEVS , a nossa região que ainda não teve nenhum caso está suscetível ao surgimento e até ao possível surto. Existem estes dois casos confirmados e mais 7 que estão sob suspeita em outras cidades. Nós temos aqui um agravante ainda que é a questão da circulação de muitas pessoas através do turismo”.
“Nós temos o mosquito, mas ele ainda não está infectado”
Sobre está situação, Carmen alerta para o risco de contaminação que pode ser feita por alguma pessoa de fora do município que esteja portando o vírus.” Nós temos pessoas de vários lugares visitando nossa cidade e tem a questão dos argentinos também. Nós temos o mosquito, mas ele ainda não está infectado, se vem alguém doente aqui e essa pessoa é picada ai este mosquito pode levar para outras pessoas”. Segundo ela um único mosquito infectado pode contaminar toda a sua geração posterior, fazendo assim, com que o vírus se espalhe rapidamente.

Cooperação de todos

A chefe da vigilância epidemiológica pede também a colaboração da classe médica que no caso do surgimento de pessoas que apresentaram sintomas de contaminação de uma das dessas doenças, avise o órgão o quanto antes para que assim os agentes possam fazer o bloqueio da região onde aquela pessoa foi contaminada.” Nós vamos lá e fizemos o bloqueio daquele foco, fazendo uma varredura para eliminação de possíveis criadouros nessa região”

Em 2018 Livramento registrou uma morte por chikungunya

Segundo a vigilância epidemiológica, em 2018 uma mulher natural do estado do Rio de Janeiro que veio morar em Santana do Livramento acabou falecendo no município e foi diagnosticada com a doença febre chikungunya.” Essa pessoa já veio doente de lá, então a gente diz que foi um caso importado. Quando nós ficamos sabendo, foi feito o bloqueio e uma varredura na residência dela e na volta”. Neste ano até o memento existe um caso não confirmado de uma moça que também não é natural daqui e consultou na cidade natal dela, depois aqui também. E foi notificado para nós e foi encaminhado o exame para o laboratório da fronteira. Mas a moça já foi embora. Fizemos o trabalho, mas ainda não sabemos o resultado do exame”
A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. No Brasil, foi identificada pela primeira vez em 1986. Estima-se que 50 milhões de infecções por dengue ocorram anualmente no mundo.
O novo Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) indica que 1.153 municípios brasileiros (22%) apresentaram um alto índice de infestação, com risco de surto para dengue, zika e chikungunya.

Entre as medidas de prevenção recomenda-se:
– Fechar as caixas d’água, tonéis e latões;
– Guardar pneus velhos em abrigos;
– Colocar embalagens de vidro, lata e plástico em uma lixeira bem fechada;
– Limpar com escovação os bebedouros dos animais;
– Manter desentupidos os ralos, calhas, canos, toldos e marquises;
– Manter a piscina tratada o ano inteiro;
– Guardar garrafas vazias com o gargalo para baixo;
– Não acumular água nos pratos com plantas, enchendo-os com areia;
– Colocar areia nos cacos de vidro dos muros.

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