“O exemplo tem que vir de cima”, diz funcionária sobre determinação do secretário Enrique Civeira

Catia Paines, servidora há 20 anos, falou sobre as contradições na determinação de Neneco que proibiu os servidores de tomar chimarrão nas estruturas administrativas do município

A semana foi de reações a determinação do secretário de Saúde, vereador Enrique Civeira, o Neneco. O pedetista emitiu no último fim de semana uma ordem de serviço proibindo os servidores públicos municipais de tomar chimarrão ou comer qualquer tipo de alimento nos balcões das Unidades Básicas de Saúde.
O documento assinado foi endereçado a todas as Unidades Básicas de Saúde, bem como a todos os órgãos que compõem a Secretaria de Saúde. O vereador Aquiles Pires (PT) lamentou a medida e disse que é mais uma forma do Governo Municipal não discutir os temas relevantes para a cidade. “Isso é um desvio de foco total”, disse o petista.
O vereador Carlos Nilo (Progressistas) seguiu no mesmo foco e acrescentou que o parlamentar deveria dar o exemplo, já que faz o mesmo, tanto na Prefeitura, quanto na Câmara. Nilo ressaltou que, nesse tempo, a Prefeitura poderia dedicar-se a discussões relevantes. “Até porque todas as ESFs têm cozinha e os servidores fazem suas refeições lá. Além do que, tomar chimarrão é uma coisa do gaúcho, não tem porque proibir. A questão da comida, não vejo ninguém comer em balcão, porque têm o horário de intervalo. Eu senti isso uma grande arbitrariedade desse secretário que trabalha unilateralmente no Poder Executivo que quer desviar o foco das discussões necessárias para a nossa cidade como a nossa infraestrutura e a limpeza, o início das aulas e o processo seletivo além da falta de medicamentos e fraldas. É desvio de foco, o secretário tem muito mais o que fazer do que isso aí”, disse Nilo.
Alguns servidores públicos também se manifestaram nas redes sociais destacando que trabalham com profissionalismo. Entre as manifestações está a da servidora Catia Paines. Formada em Gestão Pública, pela Universidade Federal do Pampa e especialista em desenvolvimento territorial e agroecologia, está há 20 anos trabalhando no mesmo cargo, como servente da Procuradoria Municipal, lotação do Gabinete do Prefeito.
Em uma página no Facebook, Catia criticou a medida adota pelo secretário e ele rebateu: “Não vejo problemas numa reunião em tomar chimarrão. Vejo problemas em (tomar) nas Unidades e Saúde atrás do balcão que não é lugar. A sra. Deveria se preocupar em fazer seu serviço que deixa muito a desejar”, escreveu o secretário.
Catia respondeu: “pois é, vemos aqui a qualidade do gestor, tenta denegrir a minha imagem como servidora e depois, como se não bastasse, age como um gângster, ameaçando, só porque a outra pessoa emitiu opinião, e esse cidadão sonha em ser prefeito de nossa cidade”, diz parte da resposta.

Em entrevista, a gestora pública diz que está no seu cargo por meritocracia

Convidada pela Reportagem, Catia comentou o que tinha acontecido e disse ser a favor da regra. “Eu deixei claro que eu sou a favor da regra, não fica bem lidar com o público tomando chimarrão ou comendo, não fica bem, o servidor tem que ter uma certa postura. O meu questionamento é que, ele como gestor, deveria dar o exemplo. Um bom gestor não se sente superior ao seu servidor. O bom gestor tem que se igualar ao servidor, não precisa impor e dar ordem. Tem que estender a mão e andar junto. Se ele quer ser respeitado na regra imposta, que é correta, ele tem que dar o exemplo. Não só ele como assessores”, afirmou.
Catia lamentou o comentário sobre o trabalho que desenvolve há mais de duas décadas. “Só tenho a lamentar um comentário que tentou me desmoralizar em uma rede social. Sou uma funcionária do quadro há 20 anos. Estou lá porque fiz um concurso, foi por meritocracia e não por favores políticos”, destacou e cobrou. “Nós temos dificuldades de material, porque os gestores não compram. Desde os sacos de lixo a gente tira do nosso bolso para poder trabalhar”.
“Mesmo sendo uma servente e não trabalhando diretamente com o contribuinte, eu não me sinto à vontade para tomar chimarrão, eu apenas faço o meu lanche no intervalo. Eu não estou aqui para ofender e criticar a gestão dele, mas eu tenho formação, sou uma gestora pública. Eu, no lugar dele, com certeza agiria de outra forma, a gente conquista os funcionários. Eu não iria para as redes sociais agir como um gangster, ameaçando as pessoas por te ruma opinião contrária. Ele é um político e está sujeito às críticas, então aceite. Educação, honestidade e caráter vem de berço”, afirmou.
O Sindicato dos Servidores Público Municipais através do secretário geral da instituição, Alexandre Paz afirmou que a medida deve ser adotada também pelos funcionários de Cargos em Comissão (CC). “No gabinete do Civeira tem 4 que passam o dia tomando chimarrão, não fazem nada. Se a medida serve para o funcionário, deve servir para os CC também”, afirmou ele ao Jornal A Plateia.

Grupo Aplateia

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