Ico volta correndo para impedir que Mari assuma a Prefeitura

Fato marcou o atual cenário político-santanense que se desenha na relação entre o prefeito e a vice nesta semana

Mesmo sem poder assumir o comando da prefeitura provisoriamente, a vice-prefeita Mari Machado voltou de suas férias com um sorriso no rosto (Foto: Marcelo Pinto/AP)

A vice-prefeita não pôde assumir o cargo de prefeita na quinta-feira (07), quando retornou de suas férias. O primeiro mandatário, Solimar Ico Charopen (PDT) retornou de uma viagem, informada inicialmente que seria para o litoral, porém desmentida pelo prefeito Ico.
“Eu estava na cidade, eu apenas tirei dois dias de descanso, porque férias eu não vou tirar. Eu estava no interior do município, bem pertinho, assistindo tudo de camarote”, afirmou Ico.
Era pouco antes das 08 da manhã quando Ico chegou na Prefeitura. Ao explicar os motivos que levaram ele a retornar, o prefeito disse que os buracos não são o problema da cidade. “O problema da cidade não é os buracos, o problema da infraestrutura, nós vamos resolver. Mas o problema da cidade é a Santa Casa, o Sisprem, manter a folha de pagamento em dia, desde o primeiro dia do nosso governo. Pagar o 13º sem aderir empréstimo, cuidar bem das contas da Prefeitura. Nós estamos em situação de emergência”, destacou ele.
Logo depois da chegada de Ico, a vice-prefeita retornou de suas férias. Em frente à sede do Executivo, ela lamentou a atitude do pedetista por não deixa-la fazer o trabalho para qual foi eleita. “Acho que, por menor que seja a inteligência de uma pessoa, ela compreende essa atribuição. Houve uma eleição, duas pessoas se elegeram. Acho que, se for assim, não precisa de uma vice. Eu não sirvo para ser figura decorativa em nenhum espaço onde estou”, falou.
Durante a entrevista Mari falou sobre as dificuldades de trabalhar e que sua equipe vem sofrendo ameaças. Questionada sobre o prefeito ter dito que os buracos não eram o problema da cidade, a socialista discordou. “É um problema, óbvio, a gente não esconde o sol com a peneira. Toda a população sabe disso, não que é uma questão fácil de resolver a população já sabe disso, não é uma coisa fácil de se resolver exige muito recurso, a cidade já estava com problemas antes do início do governo, tiveram vários episódios. E Claro, depende de dinheiro e, como eu tenho várias vezes dito, a prefeitura tem problemas financeiros e nada foi feito para melhorar esses problemas”.
No fim da entrevista, Mari disse que seguira fazendo o seu trabalho e que ainda esse mês tem uma audiência com o Ministro Chefe da Casa Civil da Presidência da República, deputado Onyx Lorenzoni, em Brasília. “Para além das emendas parlamentares normais, nós temos essa agenda com o ministro Onyx, que foi muito simpático, pois ele tem amigos aqui e frequenta a cidade. Na oportunidade que eu estive com ele, ele mandou uma emenda de R$150 mil”, adiantou.

Sem passar o comando
O presidente da Câmara, vereador Maurício Galo del Fabro (PSDB), chegou a informar, no início da semana que transmitiria o cargo à Mari, porém um dia antes disso acontecer ela foi informada que o prefeito estaria retornando para o posto. “Fui informada agora à tarde que foram buscar o prefeito para que eu não assumisse. Não tenho outra palavra a não ser a palavra ridículos. Eu estou abismada, para não dizer indignada, porque eu tenho mandato. Eu recebi várias mensagens das pessoas no dia de hoje sobre a expectativa de que eu estaria à frente da Prefeitura”, disse Mari.
A vice-prefeita destacou que faziam apenas dois dias que o prefeito havia passado o cargo e lembrou que existe uma ordem de serviço na Prefeitura, que determina que ninguém pode tirar menos que 10 dias de férias. “Queria saber se essa ordem de serviço é só para mim”, questionou.

Crítica direcionada
Mari também fez questionamentos direcionados à Administração que não faz mais parte. “Como é que vão fazer para que não seja mais vice? Eu fico curiosa. Será que há alguma coisa que eu não possa saber, que não possa vir a público. Eu suponho que tudo deva ser transparente”, afirmou.
Desde março do ano passado a vice-prefeita foi afastada da Administração, porém lembrou a importância dos papéis dela e do PSB, na campanha que os elegeu. “O prefeito não é meu patrão, não é meu chefe. Ele foi eleito pelo mandato eletivo, assim como eu”, lembrou.
Mari revelou algumas demandas que se dedicaria nestes dias à frente do Executivo. “Queria e ainda quero saber porque os professores da Oscip não receberam ainda. As contas da Prefeitura elas são abertas. Todos recebem os seus salários a partir dos impostos dos contribuintes”, frisou.

Os governistas

Em sua página no Facebook, o assessor direto do prefeito fotografou o momento retorno de Ico. Juarez Massaque escreveu que “se alguém pensou em assumir a prefeitura… se deu mal, primeiro tem que se candidatar e ser eleito pelo povo”.

Registro da página do assessor de Ico

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