Presidente da ARCO diz que ovinocultor gaúcho precisa se reinventar

Paulo Afonso Shwab que assumiu a presidência da entidade recentemente esteve participando do 6º Seminário de Ovinos da Campanha e conversou com a reportagem do Jornal A Plateia

Os rumos e desafios do ovinocultor do futuro foram discutidos durante os dias 13 e 14 de Outubro durante a 6ª edição do Seminário de Ovinos da Campanha, técnicos, profissionais da área e produtores rurais estiveram reunidos no centro de eventos da Associação Rural de Santana do Livramento. No evento foram discutidos diversos assuntos referentes ao desenvolvimento da ovinocultura além de um encontro do Programa Rota do Cordeiro – Polo Pampa Gaúcho.
Na oportunidade o atual presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos, Paulo Afonso Shwab esteve prestigiando o evento e conversando com lideranças do setor. Para ele é necessário que o ovinocultor gaúcho repense a sua maneira de criar ovelhas, pois ao longo dos anos o Rio Grande do Sul, tradicional criatório das principais raças diminuiu drasticamente seus rebanhos enquanto outros estados estão descobrindo a ovinocultura e melhorando cada vez mais a sua produção. Como é o caso do nordeste brasileiro.
Para Shwab que também é presidente da câmara setorial nacional de caprinos existe um caminho que está sendo desenhado para a ovinocultura através desde do programa Rota do Cordeiro e isto é de fundamental importância para desenvolvido do setor.
“Nós temos hoje dois setores na pecuária nacional que ainda não tem uma organização da sua cadeia produtiva que são o ovino e o caprino. Nós tivemos uma organização a muitos anos atrás quando o foco era a lã mas com a queda dos preços do mercado internacional e com a entrada de outros produtos que geram uma concorrência muito grandetivemos uma diminuição em nossos rebanhos e hoje está se trabalhando um conjunto da ovinocultura, como por exemplo a valorização da pele, carne e produtos derivados do leite ovino. Inclusive Santana do Livramento possui uma indústria bastante interessante para leite ovino, mas em contrapartida o município que é o maior criador de ovelhas do país acaba importado leite ovino de Chapecó, Santa Catarina. Este é um exemplo claro, de que é preciso se organizar para que o produtor santanense alimente essa indústria. Nós temos aqui também a questão da carne ovina onde inclusive existe um frigorifico especializado que não está conseguindo deslanchar muito pela falta de oferta de animais. Então é muito importante essa organização do setor” comenta.
Segundo Paulo Afonso Shwab é de fundamental importância que os responsáveis por este setor produtivo se aproximem, desde o produtor de insumos, aos frigoríficos, técnicos, produtores e o comercio, pois o Brasil tem importado muitos animais do Uruguai e Argentina por conta da falta de produtos no mercado” Nós temos a questão da carne ovina, hoje não conseguimos suprir a nossa demanda e acabamos importando dos nossos vizinhos. E Com essas condições que nós temos e a nossa tradição de ovinocultura nós teríamos que estar produzindo aqui nos nossos campos essa carne que nós estamos trazendo, grande parte do Uruguai. A demanda interna por carne ovina hoje é muito grande e também a externa e não estamos conseguindo atender nenhuma das duas. Nós temos que fazer o nosso dever de casa, até porque temos uma genética excelente em todas as raças, o nosso material está muito bom, mas o produtor da carne, da lã, precisa se conscientizar que é preciso melhorar a nossa forma de trabalho” disse.’
Shwab alerta ainda para o risco do Rio Grande do Sul perder nos próximos anos o status de único produtor brasileiro de carne ovina de qualidade em virtude do seu atraso em trabalhar a atividade que é extremamente rentável. Hoje outros estados estão investindo em genética, remunerando melhor a mão de obra e aproveitando todo o potencial produtivo de seus animais e por esse razão é necessário o produtor gaúcho repensar a sua maneira de produzir ovinos.” Fica um alerta. “Nós precisamos ter uma oferta de produto durante todo o ano não só aquela oferta sazonal. Por isso é necessário que haja essa organização do nosso setor. Para que a gente possa parar essa importação de carne dos outros países e assim ter o nosso produto aqui porque as nossas condições de campo e clima são excelentes e temos ovinos adaptados a todas as regiões do Brasil e podemos ter uma ovinocultura exportadora do mesmo modo que a gente começou no frango ,nos suínos , bovinos a ovinocultura tem que entrar nesse ritmo .

Grupo Aplateia

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