Venda de genética na temporada de primavera tem liquidez e bons preços

As vendas de genética bovina durante o ano de 2018 foram consideradas positivas pelo setor. Para os associados da Conexão Delta G, os seus remates na temporada de primavera da pecuária gaúcha, em um total de 11, fecharam com números previstos durante a Expointer. Apesar das dificuldades enfrentadas devido à crise econômica no país, as vendas se mantiveram semelhantes às do ano passado. O setor sai desta temporada de primavera com liquidez e bons preços.

De acordo com o presidente da Conexão Delta G, Eduardo Eichenberg, houve uma grande demanda tanto de touros quanto de fêmeas, especialmente da raça Braford que manteve os preços nos patamares de 2017 e em alguns eventos até ocorreu uma superação. Destaca que em número de animais a procura também foi grande. “A maioria dos remates ofereceu a mesma quantidade de touros e houve demanda, ou seja, o mercado absorveu essas quantidades. Os associados da Conexão Delta G, nos seus leilões, conseguiram comercializar touros Hereford com média acima de R$ 9 mil e touros Braford com médias beirando os R$ 10 mil, além de um universo de fêmeas de ambas as raças com média ao redor de R$ 3,5 mil. Certamente um grande feito”, afirma.

Nas fêmeas, especialmente no Braford, Eichenberg salienta que ocorreu uma bela procura tanto dentro do Estado, quanto fora. “Houve muita procura pela genética Braford principalmente para a zona que hoje está capitalizada pela soja, que pega a Região Noroeste até as Missões. E também  para o Brasil Central, mostrando que segue ainda  demanda naquela região para a genética Braford do Rio Grande do Sul, tanto para criação como para melhorar os plantéis”, observa.

Eichenberg ressalta ainda que em relação ao Hereford, já eram esperados preços um pouco menores devido a uma demanda menor, isto porque hoje a grande procura dos criadores está nas raças sintéticas como o Braford. No entanto, houve remates em que o Hereford surpreendeu, com médias muito altas, e inclusive com o touro Mike Tyson, da Estância Guatambu, atingindo o preço máximo da raça já registrado no país, de R$ 80 mil.

O dirigente lembra que a questão do preço do boi gordo, que afeta diretamente as negociações de genética, vem se mantendo aquém do que era esperado, mas dentro da realidade do país. “Quanto ao boi gordo, não podemos esquecer que aqueles produtores que entregam aos frigoríficos animais que se enquadram nos programas de carne de qualidade, como o Carne Hereford, conseguem uma melhor remuneração por seus animais. Isso impacta positivamente no preço das categorias de cria e recria, estimulando a comercialização da genética que produzirá esses animais. Ainda sobre a cria, havia um pouco de receio com o efeito da queda das exportações de animais vivos para a Turquia em função da crise cambial naquele país, mas a possibilidade de abertura de novos mercados, como Irã, Arábia Saudita e Egito, mesmo que com preços menores, dá uma certa segurança de termos mais mercados para os nossos animais. De maneira geral o cenário atual é positivo, e a própria definição da questão política também contribui para um aumento do otimismo. Devemos enxergar horizontes mais amigáveis para a frente”, conclui.

Postado por Matias Moura

 

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